
A infância de José Luiz Costa Ribeiro foi moldada pela simplicidade, pelo trabalho e pelos ensinamentos da vida no campo. Filho de uma família humilde, cresceu em uma casa de pau a pique, com chão de terra batida, em uma fazenda na região de Santo Agostinho, na região norte de São José dos Campos.
Desde cedo, acompanhava os pais nas lidas da roça, capinando terrenos e ajudando no corte para a silagem de milho. Em meio ao esforço diário, nasceu algo que o acompanharia por toda a vida: a capacidade de sonhar.
Embora estudasse em Santana, ouviu do pai palavras que mudariam seu destino: era hora de “ir para a cidade” buscar oportunidades. Aos 14 anos, deixou a casa da família e foi morar com a avó, na Vila São Geraldo.
Pouco depois, ingressou no antigo Cosemt (Centro de Orientação Socioeducativa ao Menor Trabalhador), hoje Fundhas (Fundação Hélio Augusto de Souza). Foi ali que José Luiz construiu suas raízes e deu os primeiros passos de uma trajetória marcada pela dedicação.
Aos 21 anos, prestou concurso para a Urbam (Urbanizadora Municipal) e ingressou como servidor na área de serviços gerais, passando a trabalhar na varrição de ruas. Depois, por concurso interno, conquistou uma vaga de jardineiro.
Hoje, José Luiz é pai orgulhoso de uma filha de 29 anos, formada em Psicologia pela Universidade Federal do Paraná, ele vê na trajetória da filha a recompensa de muitos anos de esforço e dedicação.
Sonhos e paixões
Durante a juventude, José Luiz alimentou outro grande sonho: viver da música. Fez aulas com o professor Jairo, músico que morava na Vila Maria. Fascinado por instrumentos, dedicou-se ao aprendizado e chegou a integrar a banda Proffix, além de compor uma música chamada Ponto de Ônibus.
Guitarra, bateria, contrabaixo e violão fazem parte de sua história. Embora a vida tenha seguido outros rumos, a música continua ocupando um lugar especial em seu coração. Hoje, toca em igrejas, quermesses e pequenas celebrações, mantendo viva uma paixão que atravessa décadas.
Outra paixão surgiu nos anos 1980. Como muitos jovens da época, José Luiz se encantou com a série Super Máquina e com o lendário carro falante KITT, um Pontiac Firebird Trans Am que parecia ter vindo do futuro.
O sonho de possuir o carro da televisão nunca se realizou, mas algo especial aconteceu anos depois. Hoje, ele é proprietário de um Miura X8, veículo que está restaurando com paciência e carinho.
Remédio para a alma
Entre todas as histórias de sua vida, talvez nenhuma seja tão emocionante quanto a relação que desenvolveu com os animais. José Luiz enfrentou um período difícil, marcado por uma depressão severa. Sentia dificuldade para se adaptar aos ambientes e encontrar bem-estar no dia a dia. Foi então que algo inesperado aconteceu.
Em um dos locais onde trabalhava, uma gatinha começou a segui-lo. “Eu passei a almoçar perto dela e a ficar junto nos momentos de descanso. Aquilo começou a me fazer bem.” O carinho daquela pequena companheira transformou-se em afeto por muitos outros animais.
Da casa de pau a pique na roça aos jardins que hoje ajuda a cuidar, José Luiz construiu uma trajetória marcada pelo trabalho, pela perseverança e pela solidariedade. Uma história que prova que os sonhos podem mudar de forma ao longo da vida, mas nunca deixam de existir para quem continua acreditando neles.

