Marinha amplia calado na foz do Amazonas e fortalece corredor estratégico do Arco Norte

Atualização na Barra Norte aumenta capacidade de navios, reforça segurança da navegação e amplia competitividade logística da Amazônia brasileira

Aumento do calado na área do “Arco Lamoso” amplia a capacidade de navegação, impulsiona a exportação de cargas e fortalece a economia na região amazônica. (Foto: Marinha do Brasil)
Aumento do calado na área do “Arco Lamoso” amplia a capacidade de navegação, impulsiona a exportação de cargas e fortalece a economia na região amazônica. (Foto: Marinha do Brasil)

A Marinha do Brasil autorizou o aumento do calado operacional no chamado “Arco Lamoso”, trecho crítico da Barra Norte localizado na foz do Rio Amazonas, medida considerada estratégica para a segurança da navegação e para o fortalecimento logístico dos portos do Arco Norte.

A alteração amplia a capacidade de tráfego de embarcações de maior porte e eleva a eficiência no escoamento de cargas da região Norte e do Centro-Oeste brasileiro, especialmente commodities destinadas ao mercado internacional. O aumento do calado — profundidade máxima permitida para navegação segura de um navio — reduz restrições operacionais e pode gerar ganhos milionários por embarcação.

O “Arco Lamoso” é considerado o trecho mais sensível da Barra Norte, na divisa entre Pará e Amapá, devido à intensa dinâmica sedimentar da região amazônica. A área possui cerca de 45 quilômetros e exige monitoramento hidrográfico contínuo por conta das mudanças provocadas por correntes, marés, períodos de cheia e seca dos rios.

Com a atualização, o novo limite de calado passou para 11,85 metros em navios mercantes e 11,65 metros para navios-tanque e embarcações com cargas perigosas durante parte do ano. Nos demais períodos, os índices permanecem elevados em relação aos parâmetros anteriores.

Segundo a Marinha, o impacto econômico é expressivo. Em navios do tipo Panamax — embarcações projetadas para operar no limite das eclusas do Canal do Panamá — o aumento do calado pode representar até 10 mil toneladas adicionais de carga por viagem, gerando incremento estimado em aproximadamente US$ 1 milhão por navio.

A operação foi conduzida pelo Centro de Hidrografia e Navegação do Norte (CHN-4), responsável pelos levantamentos hidrográficos, atualização de cartas náuticas e monitoramento da navegabilidade na região amazônica. Ao todo, cerca de 110 quilômetros quadrados foram sondados para garantir a segurança da ampliação operacional.

Do ponto de vista estratégico, a iniciativa reforça o papel da Marinha na proteção da chamada “Amazônia Azul” e na segurança das hidrovias nacionais, consideradas essenciais para a soberania logística do Brasil. Mais de 95% do comércio exterior brasileiro depende do transporte marítimo, tornando a segurança das rotas aquaviárias um tema de relevância econômica e geopolítica.

O fortalecimento do corredor hidroviário amazônico também reduz a dependência do transporte rodoviário, contribuindo para menor custo logístico, redução de emissões e maior integração regional. Na Amazônia, onde a infraestrutura terrestre é limitada, as hidrovias exercem papel fundamental na movimentação de cargas e no desenvolvimento econômico.

Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) apontam que os portos da região Norte registraram crescimento de 10,4% em 2025, movimentando mais de 163 milhões de toneladas, percentual acima da média nacional. O avanço reforça a consolidação do Arco Norte como eixo estratégico da logística brasileira.

Contexto estratégico adicional

A ampliação do calado no Arco Lamoso possui relevância além da logística comercial. O controle e a manutenção da navegabilidade na foz do Amazonas ampliam a capacidade de presença do Estado brasileiro em uma região estratégica da Amazônia, fortalecendo soberania, segurança marítima e integração nacional.

O investimento em hidrovias e infraestrutura aquaviária também acompanha uma tendência global de fortalecimento de corredores logísticos resilientes, especialmente em cenários de competição geopolítica e aumento da demanda internacional por commodities agrícolas e minerais.


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