
Depois de quatro anos ausente dos festejos do campeonato, o FC Porto voltou a sagrar-se campeão de Portugal, sucedendo assim ao Sporting, que nas duas últimas épocas dominou a seu bel-prazer. Aos dragões bastava um empate para carimbarem a conquista do troféu, pois o empate do Benfica em Famalicão a duas bolas, resultado conhecido instantes antes do arranque da partida do Dragão, passava a dar uma folga ainda maior aos azuis e brancos. Mesmo assim, os jogadores orientados pelo técnico italiano Francesco Farioli quiseram dar mais uma alegria aos adeptos que encheram por completo o estádio. Coube ao central polaco Jan Bednarek apontar o único golo da partida, mas o Alverca foi um digno vencido, batendo-se com galhardia, valorizando ainda mais o 31º título do FC Porto na Liga Portugal. “Pelo Jorge”, como prometido.
Este foi um dos tais encontros em que de pouco interessa estar a esmiuçar as jogadas mais intencionais, as táticas, as bolas que podiam ter entrado, os erros da arbitragem, que por sinal foram insignificantes, ou qualquer outra temática que ajude a compreender o triunfo dos dragões. Importa, isso sim, fazer um “desenho” escrito a letras douradas de mais um título do FC Porto, o 31º de uma história de muitos sucessos, mas também de algumas tristezas. Não do que não se ganhou no calor da luta, mas sim do que se perdeu na amargura dos dias, como o que aconteceu a 5 de agosto de 2025 com a morte de Jorge Costa, antigo capitão dos dragões, à altura um dos elementos da equipa técnica comandada por Francesco Farioli. O Dragão assistiu a um momento arrepiante, quando a bandeira que cobriu o caixão do eterno nº2 do FC Porto baixou dos céus para ser recebida pela viúva da antiga glória portista e pelo presidente André Villas-Boas.
Recordou-se também, obrigatoriamente, o nome do antigo líder Pinto da Costa, o “Presidente dos Presidentes”, a quem o seu sucessor dedicou o título. Nas bancadas entoaram o nome daquele que durante 42 anos geriu os destinos do emblema azul e branco e que tirou o clube nortenho do marasmo em que se encontrava, ultrapassando em títulos nacionais e internacionais os grandes rivais de Lisboa. Refira-se, a propósito, que, arrumada a questão do título nacional, Benfica e Sporting travam uma luta renhida pela segunda posição, muito importante por dar acesso à Liga dos Campeões. A equipa da Luz, comandada por José Mourinho, esteve a ganhar em Famalicão por 2 a 0 e deixou-se empatar na segunda parte, depois da expulsão do capitão argentino Nicolás Otamendi, que teve uma entrada grosseira sobre um adversário. Já o Sporting joga amanhã no seu estádio frente ao Vitória de Guimarães, podendo igualar o Benfica, quando faltam apenas duas rodadas para o final da prova.
A festa anunciada começou bem cedo
Muito antes do árbitro apitar para o início do encontro, nas imediações do Estádio do Dragão já se registava um ambiente de festa. Ninguém disfarçava o sonho, pois sabia-se de antemão que uma vitória garantia imediatamente o título. Cheirava a título, um feito que escapava há quatro anos e que todos queriam festejar pela noite dentro, como veio a acontecer. Não na Avenida dos Aliados, como normalmente acontece, mas ali mesmo no Estádio do Dragão, bem como no exterior do recinto, para onde os jogadores se deslocaram para serem ovacionados mais de perto. A grande festa está agendada para dentro de duas semanas, essa sim, nos “Aliados”, a grande sala de visitas da cidade do Porto, logo após a disputa do último encontro do campeonato com os açorianos do Santa Clara.
O golo de Bednarek, de cabeça, com o central polaco a surgir solícito na área após marcação de um canto pelo meio-campista espanhol Gabri Veiga, levou ao delírio a vasta plateia dos azuis e brancos. O Alverca até respondeu bem e rondou por algumas ocasiões com perigo a baliza portista, mas Diogo Costa voltou a ser enorme. O dono da Seleção Nacional deve estar mesmo a caminho de Inglaterra para representar o Manchester United, um justo prémio para uma carreira plena de dedicação ao seu clube de sempre. Fala-se na saída de mais um ou outro jogador, mas por certo que o FC Porto quererá manter a espinha dorsal de uma equipa que na próxima temporada volta a integrar o lote daquelas que ganharam o direito a participar na milionária Liga dos Campeões.
“Aos portistas, digo o que digo sempre: a nossa força está na nossa união. A época foi exigente, os obstáculos foram muitos, o ruído existiu e existirá sempre contra o FC Porto. Mas quando o FC Porto está junto, quando o Dragão está unido, quando a “Famiglia” Portista se foca em si própria, somos aquilo que sempre fomos: respeitados pela nossa bravura e raça. Parabéns a todos. Este título é do FC Porto. E, a partir de amanhã, como sempre, voltamos ao trabalho. Porque no FC Porto celebrar é um momento. Vencer, esse, é um compromisso”, escreveu o presidente André Villas-Boas no portal dos dragões.

Foram muitas as palavras de circunstância à mistura com momentos de pura felicidade, como o que foi protagonizado por Francesco Farioli no momento em que se preparava para a conferência de imprensa após o jogo. De rompante alguns jogadores invadiram o auditório e, como manda a tradição, despejam água sobre o técnico portista, que ficou literalmente encharcado e mesmo surpreendido, pois os seus pupilos não fizeram a coisa por menos e até gelo lançaram sobre a cabeça do italiano.
Nada que perturbasse o responsável pelo excelente comportamento do FC Porto numa temporada em que o grande objetivo foi alcançado, com a inevitável dedicatória àquele que foi seu adjunto: “Foi perfeito podermos festejar em nossa casa, com as nossas famílias e com os nossos adeptos. A celebração e a homenagem ao Jorge Costa foram muito especiais. Toda a gente se emocionou e a família dele também estava cá. Foi mesmo muito, muito especial. Há um quadro que acredito que em breve irá para o Museu em que, no dia em que o Jorge Costa morreu, o presidente escreveu ‘Pelo Jorge’. Toda a gente assinou esse quadro e aí se viu o compromisso que temos desde o primeiro dia. Passámos por momentos difíceis, por momentos de sucesso, por momentos em que tivemos de nos unir e ultrapassar as tempestades, mas o mais importante é que chegámos ao fim e demos ao Jorge o título número 31 neste dia 2 de maio”, referiu, emocionado, Francesco Farioli.
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

