Sporting perde com o Benfica (2-1) e deixa as portas escancaradas ao FC Porto na luta pela Liga Portugal

Com este desaire em Alvalade os leões foram ultrapassados pelas águias e terão de se acautelar para evitar males maiores, pois correm o risco de não ganharem nada numa temporada repleta de ambições

O atacante moçambicano Geny Catamo foi um dos jogadores mais influentes dos leões. (Foto: Sporting)

Num encontro muito emotivo e bem à medida do grande clássico de Lisboa naquele que é considerado o “dérbi eterno” entre os dois grandes rivais da capital portuguesa, o Benfica foi mais feliz, mas fez tudo para garantir o triunfo. Quando faltam apenas quatro jornadas para o final do campeonato, o conjunto orientado por José Mourinho passa a somar mais um ponto do que o Sporting, que beneficia da vantagem de ter menos um jogo. Trata-se da partida com o Tondela, adiada para o dia 29 deste mês devido aos recentes compromissos europeus dos leões, onde já não estão, eliminados na Champions pelos londrinos do Arsenal. A viver um momento complicado, muito perto da despromoção, o adversário dos leoninos deslocou-se ao Estádio do Dragão onde foi batido por duas bolas a zero, pelo que o FC Porto tem a passadeira estendida rumo à conquista da Liga Portugal, título que vê escapar há três anos.

Costuma dizer-se que qualquer clássico que envolva os três “grandes” do futebol luso é jogo de tripla, pelo que não se pode apontar um favorito. Teoricamente, quem joga em casa poderá ter uma ligeira vantagem, pois o apoio do público é sempre um excelente tónico – o Estádio José Alvalade encheu por completo -, mas é dentro do campo que tudo se decide. Refira-se a propósito que, para além de emocionante, o clássico foi um jogo bem intenso e recheado de bons momentos, com golos e muito suspense, acabando por vencer a equipa mais feliz, mas que também fez tudo para o ser. Depois de algumas críticas aos seus próprios jogadores, desta vez José Mourinho só pode estar satisfeito com o que viu, pois a conquista dos três pontos assenta bem ao emblema encarnado.

Com regresso em pleno ao onze titular do norueguês Fredrik Aursnes, o Benfica ganhou uma maior consistência na zona intermediária do terreno, enquanto que na frente de ataque a opção recaiu no possante atacante croata Franjo Ivanovic, em detrimento do grego Vangelis Pavlidis, a atravessar um momento de menor fulgor. O Sporting até entrou bem e o extremo Genny Catamo lançou o pânico logo aos 5 minutos ao obrigar o guardião ucraniano Anatoliy a defesa apertada e a ver a bola bater na barra. Endiabrado e sempre em alta rotação, o moçambicano ainda arrancou mais um remate que levou a bola a passar a centímetros dos ferros, mas foi Luis Suárez que teve nos pés flagrante oportunidade para abrir o marcador. Aos 17 minutos, o internacional português Francisco Trincão sofreu falta de Aursnes, só que o dianteiro colombiano, na transformação da grande penalidade, atirou rasteiro e denunciado, permitindo a defesa de Trubin.

Se Suárez falhou o que raras vezes desperdiça, o mesmo não aconteceu com Andreas Schjelderup, aos 27 minutos, ao converter um penálti em força para o meio da baliza, a castigar mão na bola dentro da área do japonês Hidemasa Morita. Pelo meio fica o registo de algumas jogadas bem intencionais de parte a parte, como a que aconteceu com um remate de cabeça do veterano central Nicolás Otámendi – deverá estar de saída no final da época rumo aos argentinos do River Plate para concluir a carreira no seu país -, que proporcionou ao guardião internacional português Rui Silva uma grande defesa.

Encarnados sofrem, mas não perdem a orientação

Depois de dianteiro Pedro Gonçalves enviar uma bola ao poste logo a abrir a segunda parte, no que foi um excelente tónico para o Sporting, Alvalade acabaria por vir mesmo abaixo com o golo de Morita, com um vistoso golpe de cabeça, na sequência de um cruzamento largo do defesa Zeno Debast, entretanto lançado a jogo para o lugar do costa-marfinense Osumane Diomande. Aliás, as várias mexidas em ambas as equipas tiveram o condão de dar ainda mais vivacidade ao encontro, beneficiando mais o Benfica com as entradas do belga Lukebakio, do grego Pavlidis e do português Rafa Silva, supostamente três dos jogadores que recentemente foram alvo de críticas menos agradáveis por parte do técnico José Mourinho.

Morita ainda marcou para a sua equipa, mas o sorrisos deram lugar à tristeza mesmo ao cair do pano Foto Sporting CP

E foi já em período de descontos que lá apareceu a cereja no topo do bolo, com Rafa Silva a marcar. A jogada teve início em Aursnes e resultou de uma excelente combinação coletiva, cabendo ao meio-campista luxemburguês Leandro Barreiro fazer assistência para Rafa Silva que entrou de rompante e desviou a bola do alcance do guardião Rui Silva, fazendo a bola entrar nas redes do guardião Rui Silva. Com este resultado, o Benfica, que continua sem perder no campeonato, sobe provisoriamente ao segundo lugar com mais um ponto do que o Sporting, que ainda terá de jogar com o Tondela para acertar as contas do calendário. O FC Porto sai como grande vencedor da jornada, pois ao derrotar, precisamente, o Tondela, leva sete pontos de diferença para o Benfica, numa altura em que apenas faltam disputar quatro partidas para que se conclua a Liga Portugal.

Rui Borges (treinador do Sporting): “Fica mais difícil, mas queremos muito continuar a lutar e fazer o nosso trabalho. Vamos à procura de ser felizes e lutar pelo que ainda podemos ganhar. Se matematicamente ainda é possível, vamos fazer muito por isso. O grupo tem dado essa demonstração. Por todo o desgaste do nosso caminho, nada apaga isso. Temos de levantar a cabeça e seguir. Temos mais um jogo de grande exigência na quarta-feira para poder disputar um troféu que também é nosso.”

José Mourinho (treinador do Benfica): “Sinto-me feliz, foi um fantástico jogo. Digo sempre que para os jogos serem fantásticos tem de haver três grandes equipas. Acho que a arbitragem foi de alto nível. Se calhar se o empate fosse um bom resultado para ambos teria sido diferente, mas depois do 1-1 o Sporting e o Benfica quiseram ganhar. Tinha três ótimos jogadores no banco para mudar a intensidade. Continuamos a depender dos resultados dos outros. Viemos aqui jogar para ganhar, ganhámos, mas continuamos a depender dos resultados do Sporting, para não falar obviamente do FC Porto, que já tem uma vantagem significativa.”

Vaz Mendes
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

Botão Voltar ao topo