
Não sou do tipo que trata cachorro como filho. Mas também não julgo quem o faz.
Cada um encontra, à sua maneira, aquilo que preenche o coração e isso já basta.
Na minha vida, os animais sempre estiveram presentes. Mais cachorros do que gatos, é verdade.
Cresci em um lar onde eles não eram exceção, eram parte da rotina.
Muito disso por causa do meu saudoso pai, João Batista, que tinha um hábito curioso e generoso: encontrava um cachorro na rua e trazia pra casa.
Não era só acolher. Era cuidar. Era tentar curar.
Lembro do Virgulino, por exemplo. Teve câncer no testículo. Meu pai, com toda dedicação e também com apoio de profissionais, conseguiu tratá-lo. Mais tarde, a doença voltou, dessa vez nos olhos, e acabou levando ele.
Mas o que fica não é o fim. É a vida boa que ele teve enquanto esteve conosco.
E foram muitos. Tantos que chegou uma fase em que faltaram nomes. Literalmente. Uma das nossas cadelas se chamava… Cachorra. E ninguém nunca esqueceu. Preta, com tons marrons, andando pelo quintal como se aquele nome fosse o mais especial do mundo.
Hoje, olhando ao redor, percebo como essa relação se expandiu. O Brasil vive um verdadeiro boom do mercado pet. Dados recentes mostram que o setor movimenta mais de R$ 60 bilhões por ano, sendo um dos maiores do mundo.
E esse crescimento se intensificou especialmente após a pandemia, quando milhões de pessoas adotaram animais e passaram a integrá-los ainda mais à família.
Não é só mercado. É comportamento.
Os pets passaram a ocupar espaços mais centrais na vida das pessoas, seja dormindo na cama, viajando junto ou simplesmente estando ali, presentes.
Na minha família, isso também segue acontecendo, cada um à sua maneira.
Tem o Elvis, um cachorrinho adotado pelo meu irmão Dú e pela minha cunhada, Priscila, em São Paulo. Pequeno, alegre… e o terror dos três gatos da casa.
Tem também o Crux e a Cadena, nossos pastores da Mantiqueira, já caminhando para os 12 anos.
Eles tiveram três crias, todas muito bem acolhidas por quem as recebeu.
São cães com personalidade forte: ele, mais reservado, protetor de poucos; ela, mais aberta, com um instinto materno impressionante.
Mas, no fim, o que mais me marca não é o comportamento. É a essência.
Cães têm uma devoção difícil de explicar. Não é sobre obrigação. Não é sobre dependência. É sobre presença.
Você chega e eles estão ali. Inteiros. Sem cálculo. Sem medida.
Talvez por isso exista aquela ideia bonita de que os cães vivem menos porque já chegam prontos. Como se já soubessem amar de um jeito que a gente leva uma vida inteira tentando aprender.

E aí entra um ponto importante: não existe uma forma certa de viver essa relação.
Se você não tem pet, tudo bem.
Se você trata como filho, tudo bem também.
Se você prefere o cachorro no quintal, cuidando da casa, vivendo como cão, tudo bem.
O que importa é o respeito e o vínculo que se constrói.
Lembro do amigo Diego Amaro, que recebeu uma das crias, o “Ideia”. Na época, ele dizia que tinha medo de ter outro cachorro, porque já havia perdido um antes e sofreu muito.
E eu disse algo que acredito até hoje:
“Você está deixando de viver um amor bom por medo da dor.”
Porque o amor, sim, ele dói. Mas ele também transforma.
E eu cumpri uma promessa que fiz ainda adolescente, quando perdemos a nossa cadelinha “Batata”.
Prometi que só voltaria a ter cães quando tivesse a minha própria casa.
Anos depois, Crux e Cadena chegaram.

E seguem aqui, mais de uma década depois, firmes, presentes, lembrando todos os dias que existem muitos tipos de amor, e que eles não competem. Eles somam.
Somam muito.
E se eu pudesse deixar um conselho simples seria este:
Se for ter um animal, tenha com responsabilidade.
Entenda que ele não é fase, nem impulso.
É compromisso, é cuidado, é presença.
Mas, acima de tudo…
é uma oportunidade rara de viver um amor que não exige explicação.
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Jornalista, mestre em Ciências Ambientais e apaixonada por comunicação com propósito. Com mais de 20 anos de atuação em rádio, TV, assessoria e projetos socioambientais, construí uma trajetória que conecta informação, sustentabilidade e impacto. Fui repórter, editora e apresentadora na Rede Aparecida e no Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde assinei produções como Vale Ecologia, Semana Terra Viva e Projeto Rio Vivo. Sou especialista em Telejornalismo, Marketing, Redes Sociais e Comunicação Institucional. Na assessoria de imprensa do UNISAL, integrei o Plano de Sustentabilidade e fortaleci o relacionamento com a mídia. Hoje, atuo na Seção de Comunicação Social do Exército Brasileiro – AMAN e na Rádio Verde-Oliva, unindo patriotismo, estratégia e sensibilidade na missão de comunicar. Capacitadora ambiental, membro honorário do Instituto de Estudos Valeparaibano, vencedora de prêmio de Comunicação do Rotary Club e agraciada com a Medalha Marechal José Pessôa (2024). Gravo materiais institucionais, podcasts, spots e vídeos publicitários. Eterna estudante de inglês e curiosa pelas conexões entre jornalismo, ESG e educação ambiental..

