Reviravolta dá triunfo ao FC Porto diante do Braga (2-1) e a conquista da Liga Portugal fica bem mais perto

Saído do banco, o extremo brasileiro William Gomes voltou a ser decisivo ao empatar a partida. O costa-marfinense Seko Fofana, lançado na parte final do jogo, carimbou a importante e decisiva vitória

O atacante uruguaio Rodrigo Zalazar inaugurou o marcador e deu que fazer aos dragões Foto FC Porto
O atacante uruguaio Rodrigo Zalazar inaugurou o marcador e deu que fazer aos dragões. (Foto: FC Porto)

Quando faltam sete partidas para o término do campeonato, o FC Porto deu um importante passo no caminho do título ao derrotar uma das melhores equipas em ambiente adverso. Se jogar contra o Braga já é tarefa complicada, defrontar o conjunto dirigido pelo espanhol Carlos Vincens, ex-adjunto de Pep Guardiola no Manchester City, no seu próprio reduto ainda se torna bem mais difícil.

A formação minhota colocou-se em vantagem já no decorrer da segunda parte, de penálti, mas o extremo William Gomes voltou a fazer a diferença, para Seko Fofana levar à loucura os adeptos portistas que acorreram em bom número ao estádio bracarense. Nas contas da Liga Portugal, os dragões seguem isolados na liderança da prova com mais sete pontos do que o Sporting – tem um jogo a menos, adiado devido aos recentes compromissos europeus – e outro tantos sobre o Benfica, que nesta ronda derrotou o Guimarães por três bolas a zero. Assim, o FC Porto ficou com a vida teoricamente mais facilitada, pois até final da competição, a deslocação ao recinto do Estoril será a que poderá trazer mais problemas à formação do italiano Francesco Farioli.

Superação. Esta é a palavra mais correta para definir a exibição do FC Porto num jogo que se antevia muito difícil, pois o Braga é um adversário temível, jogou de igual para igual e procurou a vitória. Os minhotos, que, tal como os azuis e brancos, conseguiram a passagem aos quartos-de-final da Liga Europa, possuem elementos de elevadíssimo nível e o 4º lugar no campeonato é o reflexo disso mesmo. As jogadas de perigo junto de ambas as balizas repartiram-se, ainda que os portistas tenham beneficiado de alguns lances em que só não marcaram por manifesta infelicidade. Logo à passagem do quarto minuto um tiraço de fora da área do médio argentino Alan Varela, na sequência de um canto, levou a bola a passar a escassos centímetros da baliza defendida pelo guardião checo Lukás Hornicek. Pouco depois coube ao jovem Oskar Pietuszewski – foi convocado pela primeira vez para a principal seleção da Polónia – arrancar um remate cruzado que deixou a sensação de golo.

Refeito do susto, o Braga passou a controlar a partida, com o veterano João Moutinho, de 39 anos, a pautar o jogo da sua equipa. Mais uma bela atuação do jogador que representou o FC Porto e até venceu a Liga Europa em 2011, curiosamente dirigido pelo presidente André Villas-Boas, ao tempo treinador do emblema do Dragão. Sem nunca se desorientar, o certo é que houve momentos em que os guerreiros do Minho apontaram o seu arsenal atacante à baliza contrária, pois dispõem de jogadores com apurado sentido de baliza, caso mais flagrante do atacante uruguaio Rodrigo Zalazar. Já sobre o final da primeira parte, o Braga esteve muito perto de inaugurar o marcador pelo atacante espanhol Pau Victor, com um remate ligeiramente ao lado da baliza, bem servido pelo seu compatriota Vicor Gómez.

Chamado a jogo, Seko Fofana carimbou o triunfo dos azuis e brancos. William Gomes (direita) entrou, marcou o golo do empate, e é já o segundo melhor goleador dos dragões. (Fotos: FC Porto)

Penálti complica… e William Gomes simplifica

O segundo período a partida revelou-se bem mais intenso e os portistas tiveram de fazer uso de todo o seu talento para levarem de vencida o valoroso adversário. E as coisas até se complicaram quando, aos 54 minutos, Rodrigo Zalazar abriu o marcador ao transformar uma grande penalidade a castigar falta do médio espanhol Gabri veiga sobre o central francês Silou Niakaté. Vida complicada para o FC Porto, mas que o técnico Farioli lá solucionou com as habituais mexidas ao fazer entrar o brasileiro William Gomes e, um pouco mais tarde, o costa-marfinense Seko Fofana e o atacante nigeriano Terem Moffi. A acrescentar a estas duas entradas de peso, o jovem dinamarquês Victor Froholdt brilhou a grande altura na zona intermediária, acabando por ser justamente considerado o melhor jogador em campo.

Com o FC Porto a dar tudo para chegar ao golo do empate, William Gomes repôs a igualdade com um remate na pequena área, com o extremo brasileiro, oportuno, a aproveitar a assistência de Oskar Pietuszewski. O extremo brasileiro é já uma peça talismã da formação azul e branca e o segundo melhor marcador, logo a seguir ao espanhol Samu. Não sendo um titular indiscutível, o jovem futebolista contratado ao São Paulo tem aproveitado todos os momentos para evidenciar o seu talento, que na verdade é muito, pois para além da sua natural apetência para o golo, tem sido fundamental pela forma como trabalha para o coletivo. E a 10 minutos do final o FC Porto viu coroada a sua insistência com o golo da vitória através de um forte remate de Seko Fofana no coração da área, resultante da marcação de um canto. O Braga ainda tentou chegar ao golo e rondou com algum perigo a baliza defendida pelo internacional português Diogo Costa, mas a defesa portista, onde pontifica uma dupla de respeito formada pelos centrais polacos Jan Bednarek e Jakub Kiwior, não mais se deixou surpreender com as ameaças do adversário.

Carlos Vicens (treinador do Braga): “Foi uma partida difícil. Íamos defrontar uma equipa que seria agressiva, muito forte nas segundas bolas. Custou-nos ter o controlo do jogo, sobretudo na primeira parte. Na segunda parte, pouco a pouco, tomámos conta do jogo e fizemos o 1-0 de penálti. O jogo mudou um pouco após o golo, mas sofremos numa jogada de profundidade. Custa perder o jogo num lance de bola parada. São detalhes que fazem a diferença, quando as diferenças entre as equipas são tão curtas. Temos muitos jogos difíceis e importantes nos próximos tempos. Temos de estar atentos aos detalhes para conseguir os resultados que queremos.”

Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Começámos com muita força e coragem, com e sem bola. Somos a única equipa do top-3 que ganhou duas vezes ao SC Braga e isso diz muito da nossa exibição, porque eles jogam um futebol muito bom. É muito difícil recuperar, porque eles jogam com passes curtos e a velocidade da bola é muito alta, mas estivemos muito bem nos primeiros 35 minutos e depois tivemos de gerir a desvantagem para voltar ao jogo. A reação foi positiva, houve muito caráter e intensidade, os jogadores que entraram ajudaram-nos a mudar o jogo. Merecemos este resultado pelo esforço que colocámos. Não gosto de celebrar demasiado, mas esta noite os jogadores merecem, porque foi uma vitória muito importante.”

Vaz Mendes
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

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