Sporting vence Bodo Glimt (5-0) e passa aos quartos de final da Champions com reviravolta épica

Equipa norueguesa foi a Alvalade com uma vantagem de três golos, mas os leões foram verdadeiros gigantes e garantiram o apuramento no prolongamento

Foi grande a festa dos jogadores leoninos depois de um feito épico diante do Bodo Glimt. (Foto: Sporting CP)

Tudo o que se possa dizer é muito pouco para descrever a extraordinária vitória do Sporting sobre a equipa sensação da Liga dos Campeões. Virar uma derrota na Noruega por 3-0 e conseguir marcar cinco golos aos Bodo Glimt no jogo da segunda mão dos oitavos de final da competição não estava nos prognósticos de ninguém. Brilhante, épico… uma “remontada”, como dizem os espanhóis, só ao alcance de uma equipa gigante e que sempre acreditou no que parecia impossível.

Não houve milagre nenhum. Houve, isso sim, o acreditar no valor de um conjunto de grande nível e que é o atual bicampeão da Liga Portugal. Há 62 anos aconteceu o mesmo – um resultado também por 5-0 -, com o Sporting a eliminar o Manchester United, que vencera em Old Trafford por 4-1, uma das maiores reviravoltas da história de que havia memória até à data na então Taça dos Clubes Vencedores de Taças. Muito mérito para o técnico Rui Borges, o primeiro a acreditar na passagem da eliminatória, ao montar uma equipa lutadora e, acima de tudo, muito unida.

O início do encontro mostrou bem a imagem de um conjunto aguerrido e determinado em marcar cedo para poder sonhar com a reviravolta. Basta dizer que quando o relógio apontava para os cinco minutos de jogo, os leões já haviam conseguido duas oportunidades flagrantes para inaugurar o marcador. Primeiro pelo internacional português Francisco Trincão, ao rematar de cabeça ligeiramente por cima da barra, depois… novamente por Trincão, num remate com o pé esquerdo que passou a centímetros da baliza da formação norueguesa.

Surpreendida, a equipa do Boldo Glimt não conseguia sacudir a pressão adversária e sofreu a bom sofrer para evitar o golo. Aos 10 minutos foi a vez do atacante colombiano Luis Suárez criar muito perigo ao atirar forte, mas a permitir a intervenção do guarda-redes israelita Nikita Khaykin, que não adivinhava o pesadelo por que iria passar em 120 minutos de jogo. Os noruegueses ainda assustaram, à passagem do 15º minuto, com um falhanço incrível do atacante dinamarquês Kasper Hogh, numa das raras jogadas de contra-ataque do conjunto nórdico, mas era o Sporting que mandava autenticamente na partida, restando saber quando é que a bola entrava mesmo na baliza adversária.

E as redes abanaram pela primeira vez quando estavam decorridos 34 minutos, através de uma entrada fulgurante de cabeça do central Gonçalo Inácio, após assistência de Trincão resultante da marcação de um canto. Estava feito o tão aguardado golo, mas era preciso mais. Muito mais. Mesmo assim, o conjunto de Alvalade esteve de novo perto de sofrer, valendo a trave da baliza defendida pelo internacional português Rui Silva devolver duas bolas numa jogada de insistência do defesa norueguês Odjin Bjortuft. Ao intervalo, o golo de Inácio fazia toda a diferença, ainda que uma margem muito curta se comparada com as oportunidades flagrantes de golo do Sporting.

Vendaval leonino suado e bem molhado

Com o Estádio de Alvalade a puxar pela sua equipa, os jogadores do conjunto de Alvalade atiraram-se à luta com uma entrega total e todos pressentiam que, mais cedo ou mais tarde, os golos iriam surgir. Foi um autêntico vendaval de bom futebol feito de muito suor, mas também bem molhado, pois choveu insistentemente durante toda a segunda parte. Depois de uma ameaça do atacante moçambicano Genny Catamo ao rematar meio enrolado e ao lado, o segundo golo surgiu à passagem da hora de jogo por intermédio de Pedro Gonçalves, que atirou a contar na sequência de um excelente cruzamento do colombiano Luis Suárez. Faltava um único golo para empatar a eliminatória e Alvalade veio abaixo quando, aos 75 minutos, Suárez marcou de penálti a castigar mão na bola de um defensor do conjunto norueguês.

O internacional português Francisco Trincão voltou a fazer uma grande exibição. (Foto: Sporting CP)

Faltava o resto, o quarto golo, que só não surgiu nos 90 minutos regulamentares da partida por manifesta infelicidade. E o jogo foi a prolongamento, no que constituiu um tremendo desgaste físico, temendo-se que os nórdicos levassem a melhor nesse capítulo. O técnico Rui Borges já havia refrescado a equipa, retirando do campo três habituais titulares, e o Sporting prosseguiu com um fulgor atacante inexcedível, coroado com a marcação do quarto golo, logo no reatamento da partida, por intermédio do lateral-esquerdo Maxi Araújo, um autêntico poço de energia. Grande jogo do uruguaio, também ele substituído, saindo do campo debaixo de uma autêntica chuva de aplausos. Para final de festa, os leões chegaram ao quinto golo, apontado pelo jovem atacante português Rafael Nel, que fez a sua estreia na principal equipa do Sporting.

E agora? O futebol tem destas coisas e o avançado Viktor Gyokeres, que no final da temporada passada saiu a mal do clube de Alvalade, vai mesmo regressar a uma casa onde deixou a sua marca de goleador bem vincada. Os londrinos do Arsenal bateram o Bayer Leverkusen por duas bolas a zero e visitam Alvalade a 7 ou 8 de abril, pelo que a segunda mão dos quartos de final será decidida uma semana depois em Londres. Um reencontro que certamente dará muito que falar e, como tal, em perspetiva dois jogos de grande intensidade que irão animar a fantástica e milionária Liga dos Campeões, prova em que o Sporting já encaixou até agora perto de 80 milhões de euros.

O colombiano Luis Suárez apontou o penálti que igualou a eliminatória. (Foto: Sporting CP)

Rui Borges (treinador do Sporting): “Para mim, é uma vitória. Acreditava muito e disse-o no final do jogo em Bodo, apesar do jogo menos bem conseguido. Os jogadores acreditaram e perceberam o que não fomos capazes individualmente e coletivamente. Falámos sobre o que tínhamos de fazer para ter uma noite histórica e foi o que aconteceu. Acredito que vamos falar deste jogo daqui a muitos anos e deixa-me feliz continuar a marcar a história do Sporting. Os jogadores merecem esta vitória, merecem ser exaltados. Pode ser que, depois de hoje, continuem a achar que o treinador não tem capacidade para o Sporting. Esquecem-se que o treinador foi campeão nacional. Peço mais respeito. Não era o jogo em Bodo a dizer o que é a equipa do Sporting.”

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