
Num jogo extremamente complicado diante do Estugarda, 4º classificado do campeonato alemão, o FC Porto deu um ponto importante rumo aos quartos de final da Liga Europa. Com golos do atacante nigeriano Teremi Moffi e do jovem prodígio português Rodrigo Mora, ambos na primeira parte, o conjunto orientado por Francesco Farioli tem agora de confirmar o favoritismo dentro de uma semana quando receber o conjunto germânico no Estádio do Dragão. Este resultado confere uma vantagem preciosa aos azuis e brancos, mas o Estugarda tem-se revelado muito perigoso a jogar fora do seu reduto, tendo já batido o pé às melhores formações da Bundesliga e a alguns dos grandes emblemas europeus. Com este resultado, Portugal ganhou automaticamente o direito a ter novamente três equipas na Champions, apenas em 2027/28, as duas primeiras de forma direta, enquanto que a terceira terá de disputar o play-off de acesso à liga milionária.
Foi um FC Porto audaz e sem receios o que se apresentou no MHPArena, em Estugarda, perante mais de 60 mil espectadores. O técnico Farioli surpreendeu ao apresentar um onze completamente diferente daquele que tinha utilizado frente ao Benfica, partida da Liga Portugal que terminou com um empate a duas bolas. Foram apenas três os jogadores que mantiveram a titularidade – o guardião Diogo Costa, o lateral-direito Alberto Costa e o central Jan Bednarek -, o que causou estranheza, mas, simultaneamente, um sinal de confiança no plantel. Os dragões contam com futebolistas que interpretam bem o que lhes é pedido, pelo que as apostas de Farioli vão no sentido de rodar a equipa, acautelando compromissos futuros. No próximo domingo o FC Porto recebe no seu estádio o Moreirense, uma das boas formações da Liga Portugal – 7º classificado – e passados poucos dias tem a receção ao Estugarda, jogo que poderá colocar os dragões na próxima eliminatória da Liga Europa. Como tal, impõe-se uma gestão cuidada e rigorosa de um plantel rico em qualidade e que lidera confortavelmente o campeonato à frente do Sporting e do Benfica.

Mesmo que a conquista do campeonato português seja a máxima prioridade dos dragões, não está fora de hipótese a ida à final de uma competição europeia que o FC Porto já venceu por duas ocasiões. Recuperado da lesão que o afetou, o central brasileiro Thiago Silva, de 41 anos, tornou-se no jogador de campo mais velho de sempre a estrear-se na Liga Europa, ao fazer dupla com o polaco Jan Bednarek. O categorizado futebolista atuou durante o tempo todo, o mesmo não acontecendo com os seus compatriotas William Gomes, substituído no decorrer da segunda parte, enquanto que Pepê, estrategicamente de início no banco, entrou à passagem do 60º minuto, dando de imediato mais profundidade ao ataque dos azuis e brancos. Aliás, este foi também o momento em que Farioli lançou o meio-campista dinamarquês Victor Froholdt, bem como o atacante turco Deniz Gul, trunfos que estiveram na origem da boa exibição do FC Porto, que nessa altura já tinha consentido o golo do conjunto germânico apontado pelo internacional alemão Deniz Undav.
Como referimos, o FC Porto foi muito superior ao Estugarda, especialmente na primeira parte, onde apontou os dois golos com que brindou o seu opositor, à partida tido como favorito. Primeiro pelo nigeriano Teremi Moffi, aos 21 minutos, com um violento remate após preciosa tabela com o espanhol Borja Sainz. Antes, porém, William Gomes já havia transmitido um sério aviso ao enviar um tiraço à trave, depois das primeiras ameaças do conjunto alemão, situações que o guardião Diogo Costa resolveu com a sua habitual mestria. Sempre por cima do jogo, os portistas ampliaram a vantagem poucos minutos depois, desta feita com o genial Rodrigo Mora a acertar na baliza defendida pelo alemão Alexander Nubel, guarda-redes emprestado ao Estugarda pelo Bayern Munique. Uma jogada toda ela de excelente recorte técnico, com o lateral-esquerdo nigeriano Zaidu Sanusi a galgar largos metros em velocidade, cruzando a preceito para a área, onde Mora surgiu a rematar em vólei junto à marca de penálti.
Segurar, mas não muito… e saber sofrer
O segundo período do encontro continuou a revelar um FC Porto personalizado, mas teve de aguentar a normal pressão do adversário, principalmente a partir dos 40 minutos, momento em que o Estugarda apontou o golo que lhe permitiu sonhar com um resultado positivo. O técnico Francesco Farioli refrescou a sua zona intermediária e o ataque, é um facto que revelou outros cuidados, mas nunca se remeteu à defesa. Prova disso mesmo é o facto de ter estado muito perto do terceiro golo por Pepê, com um remate cruzado que passou ligeiramente ao lado, e por Deniz Gul, não fosse o turco ter escorregado na hora de atirar à baliza. O conjunto germânico bem tentou de todas as formas chegar com perigo junto à baliza de Diogo Costa, sempre seguro com algumas intervenções vistosas, mas foi o FC Porto que esteve muito perto de ampliar a vantagem, não fosse o violento disparo do meio-campista espanhol Gabri Veiga ser defendido pelo guardião Alexander Nubel.

O jogo da segunda mão está marcado para a próxima quinta-feira, dia 19 de março, com o vencedor da eliminatória a encontrar nos quartos de final os ingleses do Nottingham Forest, treinado pelo português Vítor Pereira, ou os dinamarqueses do Midtjylland. O Estádio do Dragão vai registar nova enchente para assistir a uma noite europeia que se espera de gala, mas será preciso muita atenção a este Estugarda, um conjunto que joga sempre da mesma forma, quer seja no seu reduto ou fora dele. Resta saber como o técnico dos dragões armará a equipa, pois no próximo domingo há nova partida para a Liga Portugal com o Moreirense. Pelo que se tem observado, tendo em atenção a tal gestão do plantel, pode muito bem acontecer que o onze a apresentar diante da formação de Moreira de Cónegos volte a registar mudanças de vulto.
Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Estivemos muito bem. Fizemos oito mudanças no onze titular e foi muito importante começarmos com a energia certa. Tivemos momentos muito bons na primeira parte contra um adversário que sabemos como costuma jogar. Esperávamos um jogo aberto e assim foi por parte das duas equipas. Depois do segundo golo perdemos um pouco o controlo e o ambiente no estádio tornou-se mais difícil, sobretudo depois do 1-2, que mudou a dinâmica do jogo. No geral, a performance da equipa foi muito boa e há várias exibições individuais de bom nível. Foi apenas a primeira mão e ainda há muito para fazer, mas o nosso pensamento já está no Moreirense.”
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

