
Como tem sido habitual nos últimos encontros, o FC Porto voltou a sofrer muito para levar de vencida o Arouca, 11º classificado do campeonato. Não se colocando em causa a justiça do resultado, os azuis e brancos voltaram a ser perdulários na hora de rematar à baliza, facto a que não é estranha a falta do seu máximo goleador Samu. O possante atacante espanhol foi recentemente operado a um joelho e tem a época perdida, pelo que a primeira opção do técnico Francesco Farioli para o eixo do ataque tem recai em Deniz Gul.
O turco tem, a espaços, marcado alguns golos, mas está muito longe de corresponder ao que se exige a um avançado. Os portistas até entraram bem, apontando um golo logo aos 14 segundos pelo jovem extremo polaco Oskar Pietuszewski, de apenas 17 anos, mas não evitaram o tento do empate, aos 70 minutos, com uma autêntica bomba desferida de fora da área pelo médio francês Nais Djouhara. Valeu ao FC Porto o irrepreensível penálti apontado pelo extremo brasileiro William Gomes aos 90+1 minuto, para depois o nigeriano Terem Moffi fechar a contagem.
Começando exatamente pelo fim, é da mais elementar justiça referir que o lance que deu origem à grande penalidade a favor dos azuis e brancos esteve envolta em muita polémica e, vistas e revistas as imagens, não nos parece que o árbitro tenha ajuizado bem a jogada. O costa-marfinense Seko Fofana armou o remate, surgindo o médio espanhol do Arouca Yellu Santiago a atravessar a perna à frente do africano do FC Porto, que pontapeou o calcanhar do futebolista arouquense. Não se vislumbrou qualquer falta – nem rasteira, nem obstrução a impedir o remate -, e o lance foi analisado pelo VAR, que confirmou a marcação do penálti, levando ao desespero Vasco Seabra, treinador do Arouca.
O recurso ao vídeo-árbitro impunha-se para esclarecer todas as dúvidas, o que aconteceu, sem que, contudo, o juiz da partida fosse chamado a visionar as imagens. Como tal, mais uma vez, o futebol português criou um caso desnecessário, que foi logo alvo de críticas nas redes sociais pelo Benfica, pois é parte interessada na luta pelo título. A equipa orientada por José Mourinho, já fora da Taça de Portugal e recentemente afastada das competições europeias pelo Real Madrid, tem apenas como objetivo a conquista do campeonato, encontrando-se a 10 pontos da liderança, mas com menos um jogo. “Penálti inexistente, vitória mentirosa. Dois pontos oferecidos. Assim, é fácil continuar à frente”, escreveu o emblema encarnado, juntamente com um vídeo do lance.
Quando Oskar Pietuszewski abriu o marcador – muitos adeptos ainda estavam a entrar no recinto – logo na jogada inaugural, aos 14 segundos, o golo mais rápido registado no Estádio do Dragão -, estava longe de se imaginar que o FC Porto iria sofrer muito para somar os três pontos na caminhada para o tão desejado título nacional. Numa saída já habitual, os dragões colocaram-se todos na linha de meio-campo e correram de imediato para a área adversária, depois do endosso da bola ao guardião Diogo Costa, que pontapeou de pronto a bola para a frente. O dinamarquês Viktor Froholdt ganhou a linha de fundo e cruzou ao segundo poste, onde surgiu o extremo polaco a tocar para o fundo da baliza. O árbitro ainda anulou o lance por alegado fora-de-jogo, mas o VAR confirmou a validade do golo.

Praticamente instalados no meio-campo adversário, os portistas dominaram quase por completo o seu opositor, mas faltava a profundidade, onde, desta vez, não estava Borja Sainz. O espanhol teve de se deslocar ao seu país devido ao falecimento da sua mãe, um momento extremamente doloroso que os seus colegas fizeram questão de deixar assinalado, dedicando-lhe este importante triunfo para as contas da Liga Portugal. À falta de artilharia pesada lá na frente, coube ao dinamarquês Viktor Froholdt estar próximo de marcar, não fosse o seu violento disparo, aos 17 minutos, encontrar o poste da baliza defendida pelo uruguaio Ignacio de Arruabarrena. Até ao final da primeira parte o brasileiro Pepê ainda dispôs de uma excelente ocasião para marcar, valendo o excelente corte do lateral neerlandês Bais Kuipers.
Golaço empata a partida… até ao penálti
A abrir o segundo período o FC Porto não se livrou de um grande susto quando o meio-campista japonês Taicho Fukui enviou uma bomba à trave da baliza de Diogo Costa, o que constituiu um sério aviso do que poderia vir a seguir. A equipa do Arouca soltou-se e o FC Porto teve de se encolher um pouco, passando a viver de um ou outro rasgo individual. Na mente de todos estavam, porventura, as últimas vitórias tangenciais diante do Nacional da Madeira e do Rio Ave, ambas por 1-0, e os portistas passaram, de certa forma, a gerir cedo demais o magro resultado, ainda que não se colocasse em causa a sua superioridade. Só que a inesperada bomba desferida por Nais Djouhara à entrada da área, aos 70 minutos, deixou o guardião Diogo Costa completamente pregado ao relvado, por não ver a bola partir, no que foi um monumental golo do extremo francês.

Visivelmente inconformado com o resultado, o técnico Farioli lançou mão de todas as armas disponíveis no banco, colocando em campo suplentes de luxo como Rodrigo Mora, William Gomes, bem como os recém-contratados Seko Fofana e Terem Moffi. O jogo dos portistas ganhou outra intensidade e já para lá do período regulamentar surgiu a lance a que fizemos alusão, uma grande penalidade mais do que duvidosa, ou, em boa verdade, inexistente, convertida pelo antigo jogador do São Paulo, o brasileiro William Gomes. Mesmo sob o apito do árbitro, o FC Porto ampliou a vantagem por intermédio de Terem Moffi, com o atacante nigeriano a acorrer a uma assistência primorosa de Gomes, que, assim, esteve nos dois golos com que os dragões levaram de vencida o seu adversário.
Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Antes de tudo, quero deixar uma mensagem em nome do grupo: esta vitória é para o Borja Sainz e para a sua família, que estão a passar por um momento difícil. O Borja Sainz é uma pessoa fantástica e esperamos tê-lo de volta nos próximos dias. Quando colocamos tanto esforço a gerar oportunidades e depois não conseguimos fechar o jogo mais cedo, pode acontecer baixar-se a guarda ou perder-se a concentração em alguns momentos. Isso aconteceu hoje, mas também pela qualidade do FC Arouca. É uma equipa que joga muito bem e que é muito corajosa, com e sem bola. É sempre importante ganhar, essa é a realidade. Ganhar traz sempre boas energias e é assim que temos de continuar.”
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

