Um golo Froholdt diante do Rio Ave bastou para o FC Porto não deixar aproximar a concorrência na Liga Portugal

Os dragões estavam obrigados a vencer, depois dos robustos triunfos de Sporting e Benfica. Equipa de Farioli cria inúmeras oportunidades de golo, mas falha muito na hora da verdade

A equipa dos dragões revela-se bem unida, mas marcar golos não está fácil. (Foto: FC Porto)

Duas bolas no poste e uma mão cheia de oportunidades flagrantes de golo podiam ter dado ao FC Porto um robusto triunfo sobre um adversário que se encontra a lutar pela permanência entre os primodivisionários do campeonato português. Já são recorrentes as vitórias tangenciais da formação orientada pelo italiano Francesco Farioli, que tem encontrado muitas dificuldades na hora de rematar à baliza. Sem poder contar com o seu máximo goleador, o espanhol Samu, recentemente operado a um joelho – não joga mais esta época e deverá falhar a Copa do Mundo -, os azuis e brancos têm em Deniz Gul a grande referência do ataque, mas o turco nunca foi uma primeira opção e, como tal, a sua tarefa é algo ingrata. As soluções para o setor atacante não são muitas e a aposta no recém-contratado Terem Moffi tarda em chegar, mesmo sendo um velho conhecido do técnico portista, que orientou o atacante nigeriano aquando da sua passagem pelos franceses do Nice. Assim, à falta de artilharia pesada, o FC Porto vive da inspiração dos seus talentosos médios, casos do espanhol Gabri Veiga e do dinamarquês Victor Froholdt, que diante do Rio Ave safou a sua equipa de deixar pelo caminho dois pontos no Estádio do Dragão.

Se as ausências, por lesão, do veterano central brasileiro Thiago Silva e do polaco Jakub Kiwior foram bem compensadas com as entradas do dominicano Pablo Rosario e do nigeriano Zaidu, respetivamente, já o ataque viveu à custa de Deniz Gul, a atuar no eixo do ataque, com os extremos a serem ocupados pelo internacional brasileiro Pepê e pelo jovem polaco Oskar Pietuszewski, de apenas 17 anos, utilizado a titular pela segunda vez consecutiva. A alimentar a dianteira esteve um meio-campo bastante trabalhador, como são os casos do espanhol Gabri Veiga, do todo-o-terreno dinamarquês Froholdt, bem como do possante argentino Alan Varela.

Os minutos iniciais mostraram um FC Porto dominante, mas pouco assertivo na frente, com os atacantes a mostrarem-se presa fácil para a bem organizada defensiva do conjunto de Vila do Conde. O Rio Ave é uma equipa em reconstrução após o clube ter sido comprado pelo grego Evangelos Marinakis, também dono dos ingleses do Nothing Forest, e possui muitos estrangeiros, dando a ideia de que poderá efetuar um resto de campeonato relativamente tranquilo, obviamente se passar a produzir em conformidade com o valor do plantel às ordens do também grego Sotiris Sylaidopolos.

O extremo brasileiro William Gomes (esquerda) tenta levar a melhor sobre dois adversários. O avançado turco Deniz Gul tem a complicada missão de substituir o lesionado Samu. (Fotos: Rio Ave FC)

Depois de aguentar as primeiras investidas dos azuis e brancos, o Rio Ave revelou-se atrevido com saídas rápidas para o contra-ataque, fruto de um futebol muito apoiado e técnico, chegando a incomodar a baliza defendida pelo internacional português Diogo Costa. Contudo, era o FC Porto que mandava na partida, ainda que a insistência no jogo interior não encontrasse forma de penetrar a bem montada defensiva adversária. O recurso aos extremos revelava-se como a solução mais indicada e o golo lá surgiu aos 22 minutos por intermédio de Viktor Froholdt, que se limitou a empurrar para a baliza uma bola cruzada por Oskar Pietuszewski. Uma jogada reveladora do enorme talento do jovem extremo polaco, que fugiu em boa velocidade em drible pela esquerda, após passe de Gabri Veiga, concluída com um passe atrasado para a entrada fulgurante de Froholdt.

Muita parra e pouca uva

Inaugurado o marcador, aguardava-se que o FC Porto chegasse ao segundo golo, o da tranquilidade, por assim dizer, mas o poste da baliza defendida pelo neerlandês Ennio van Der Gouw evitou males maiores. Gabri Veiga acertou nos ferros e ficou muito perto do 2-0, mas os portistas criaram jogadas mais do que suficientes para construírem um resultado volumoso. A falta de eficácia no ataque foi uma constante, problema que Farioli terá de resolver rapidamente, pois dentro de duas semanas defronta o Benfica, jogo que poderá ser decisivo para as contas da Liga Portugal e, consequentemente, para uma melhor definição da questão do título. Os dragões já usufruíram de uma margem bem mais folgada para os seus concorrentes diretos, mas o empate com o Sporting e a surpreendente derrota com o Casa Pia não auguram nada de positivo. Se juntarmos à perda de pontos as vitórias tangenciais sobre adversários bem mais modestos, obviamente que o cenário não é aquele com que o FC Porto iniciou o campeonato, ao evidenciar uma notável performance que deixou muitos de boca aberta.

A segunda parte do encontro iniciou-se com uma jogada em que Deniz Gul chega ao golo, mas após consulta do VAR, o árbitro invalidou o lance dada a posição irregular de Pietuszewski, em posição irregular… por oito centímetros. E as ameaças à baliza contrária prosseguiram em bom ritmo, com oportunidades de golo incrivelmente falhadas por Pepê e por Gabri Veiga, a que se acrescentou mais uma bola no poste a remate de Froholdt.

Froholdt foi o mehor em campo e Diogo Costa voltou a não sofrer golos. (Foto: FC Porto)

O técnico Farioli ainda lançou o jovem prodígio português Rodrigo Mora – tarada a impor-se, como se impunha, no onze titular – e o irreverente extremo brasileiro William Gomes, bem como os recém-contratados Seko Fofana e Terem Moffi, para lá de Borja Sainz, um atacante espanhol que já viveu melhores dias, mas até final prevaleceu a vantagem cedo alcançada, o que valeu a conquista de três importantes pontos. Segue-se na próxima sexta-feira novo confronto para o campeonato com o Arouca, no Estádio do Dragão, um jogo aparentemente mais complicado do que este com o Rio Ave, face à boa carreira de formação do distrito de Aveiro.

Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Teria sido bom se tivéssemos marcado o segundo golo mais cedo para conseguirmos gerir o jogo de forma mais calma e fechá-lo mais cedo, de forma a evitar o amarelo do Alberto e a possível lesão do Bednarek, que surgiu num lance louco. Faz parte do jogo. Fizemos um bom jogo, conquistámos três pontos importantes e agora temos de seguir em frente. Vamos entrar no último terço do campeonato e todos os jogos têm um valor especial. Estamos numa corrida contra adversários que estão a tentar fazer uma época melhor do que a anterior. Está tudo em aberto.”

Vaz Mendes
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

Botão Voltar ao topo