
O FC Porto perdeu uma excelente oportunidade no seu próprio estádio, apoiado por mais de 49 mil adeptos, de alcançar uma margem folgada para o bicampeão nacional. Num jogo muito morno e demasiadamente tático, ambas as equipas jogaram para não perder ou, como se queira, para o empate, o que se confirma pelas raras ocasiões de golo criadas.
O empate terá sido mais do agrado dos azuis e brancos, que mantêm a diferença de quatro pontos para o Sporting – podem ser cinco para um eventual desempate em caso de igualdade pontual, pois na primeira volta em Alvalade o triunfo sorriu aos dragões -, mas o resultado acaba por beneficiar o Benfica. Comodamente a verem a partida no sofá, depois de terem vencido o Alverca (2-1), os comandados de José Mourinho têm agora uma desvantagem de sete pontos para o FC Porto e os mesmos quatro para o Sporting, pelo que o campeonato fica relançado. Como tal, as 13 jornadas que faltam disputar para que se conclua a principal competição nacional, prometem muita emoção e, como de costume, bastante ruído.
Um pouco à imagem do que os portistas têm vindo a fazer, o jogo entre dragões e leões acabou por ser mais do mesmo. Depois da primeira derrota averbada no terreno do Casa Pia e ao exemplo das últimas prestações em termos exibicionais, os azuis e brancos encontram-se numa fase algo negativa da temporada pouco prometedora. Já nas partidas com o Gil Vicente e com o Guimarães, apesar dos triunfos, os indícios foram francamente pouco condizentes com o nível exibicional que o FC Porto já patenteou.
Este era, de certa forma, um clássico decisivo para ambas as equipas, pois nenhuma delas queria perder pontos. Por isso mesmo o jogo foi desprovido de qualquer interesse sob o ponto de vista do espetáculo, transformando-se numa partida muito tática e até monótona. Arriscar era praticamente proibido, sofrer golos muito menos, pelo que FC Porto e Sporting jogaram manifestamente com o intuito de não perder pontos. Exceção feita aos dois golos que surgiram no meio da confusão – até mesmo o penálti concretizado pelos leões, com o lateral português Francisco Moura a cortar desnecessariamente a bola com o braço aos 90+8 minutos – o encontro acabou mesmo por ser penoso para a imensa plateia que acorreu ao Dragão.
Farioli volta a mexer e deixa Thiago Silva de fora
Mais uma vez com o jovem Rodrigo Mora no banco, um elemento capaz, só por si, de desbloquear qualquer jogo, e sem o castigado William Gomes – marcou o golo do triunfo do FC Porto no jogo da primeira volta em Alvalade -, Francesco Farioli voltou a mexer no onze titular, desta vez ao deixar no banco o veterano central brasileiro Thiago Silva. A opção para o centro da defesa voltou a recair na dupla formada pelos internacionais polacos Jan Bednarek e Jakub Kiwior, para na intermediária os dragões apresentarem um setor musculado com as presenças do argentino Alan Varela, do espanhol Gabri Veiga e do possante dinamarquês Victor Frolholdt. Já na frente, tudo dentro do previsível, um trio constituído pelos espanhóis Samu e Borja Sainz e pelo brasileiro Pepê. Já o Sporting apresentou-se no Dragão com a sua formação tradicional, obviamente com destaque para as presenças do atacante colombiano Luis Suárez, apoiado nos flancos por homens velozes, casos do moçambicano Geny Catamo e do extremo português Francisco Trincão.

Apesar da artilharia pesada, as jogadas, de parte a parte, raras vezes chegavam aos homens da frente, pelo que o encontro decorreu numa toada morna. O FC Porto não arriscou e o Sporting muito menos, pelo que o grande clássico de que todos estavam à espera ficou adiado para próxima oportunidade. E até não tarda muito, pois as duas equipas têm jogos agendados a contar para as meias-finais da Taça de Portugal para se saber quem estará presente na final da chamada festa do futebol, por norma disputada no Estádio Nacional do Jamor. Nessa altura terão de fazer muito melhor, pois este confronto da Liga Portugal redundou numa partida desprovida de qualquer interesse sob o ponto de vista do espetáculo, tal foi a monotonia verificada.
Estreia de Fofana a marcar e… o suspeito do costume
A uma primeira parte nada agradável, interrompida a meio devido ao lançamento de engenhos pirotécnicos provenientes de uma das bancadas afeta à claque dos Super Dragões que provocou uma enorme nuvem de fumo, obrigando à interrupção do jogo, o segundo período apenas trouxe a emoção dos golos. O francês Seko Fofana, internacional pela Costa do Marfim, recém-contratado pelo FC Porto no mercado de inverno, abriu o marcador aos 76 minutos, pouco depois de entrar e fazer a sua estreia com a camisola dos dragões. Um golo que nasceu na sequência de uma jogada de insistência na área contrária, com vários “tiros ao boneco”, para Fofana a acertar na baliza no meio de uma autêntica embrulhada de pernas. O mais difícil estava feito, admitindo-se que os azuis e brancos pudessem partir para cima do adversário na tentativa de consolidarem a magra vantagem alcançada num lance de insistência, mas fortuito.
Não foi isso que aconteceu, bem antes pelo contrário. A partir desse momento o Sporting pegou no jogo e passou a criar jogadas de algum perigo. O internacional português Francisco Trincão andou lá muito perto com um violento disparo cruzado, que levou a bola a passar muito perto da baliza defendida por Diogo Costa, e os portistas acusaram o toque. Na tentativa de defenderem a vantagem, os dragões precipitaram-se por diversas ocasiões, claramente encolhidos em campo, a que não foi alheio o facto de o Sporting ir à procura do tento do empate. Já em período de descontos, aos 90+10 minutos – houve algumas paragens que tiveram de ser compensadas devido às assistências médicas prestadas em campo -, os leões empataram a partida, na transformação de uma grande penalidade. O lateral Francisco Moura cortou, inadvertidamente, uma jogada com o braço, e Luis Suárez atirou a contar na recarga, depois de o guardião Diogo Costa ter defendido o remate do atacante colombiano.
Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Sabíamos que era um grande jogo. Entrámos sem medos frente ao bicampeão, com muita intensidade e uma dinâmica muito positiva. Estou muito feliz com a nossa abordagem, espírito e desejo de ganhar. Concedemos um penálti na última ação do jogo. Foi o sexto jogo consecutivo em que o Sporting marcou no último minuto. Não conseguimos manter a folha limpa, mas foi um jogo positivo com uma boa atitude e atmosfera. Não tivemos medo e o caráter que colocámos em campo diz muito do trabalho que temos feito.”
Rui Borges (treinador do Sporting): “Fomos a equipa mais personalizada dentro de campo do primeiro ao último minuto. Não conseguimos criar tantas situações como queríamos. Entrámos muito bem a controlar o jogo, a saber saltar a pressão do FC Porto. Falhámos alguns passes em que podíamos ter definido melhor, mas sempre com grande personalidade. Uma segunda parte onde fomos claramente superiores, o FC Porto fez golo no único lance de perigo que tem perto da nossa baliza. Estávamos personalizados com bola. E depois foi correr atrás do prejuízo e acabámos por conseguir o empate.”
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

