
O mercado regulado de apostas no Brasil está batendo recordes de arrecadação — e os números impressionam. Nos primeiros quatro meses de 2026, os tributos recolhidos sobre apostas somaram R$ 4,5 bilhões, praticamente o dobro dos R$ 2,2 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Segundo dados da Receita Federal citados por reportagem do iGaming Business, o salto reflete a consolidação das regras que passaram a valer no país.
Um crescimento que dobrou em um ano
A comparação ano a ano é o dado mais impactante. Entre janeiro e abril de 2025, a arrecadação foi de R$ 2,2 bilhões. No mesmo intervalo de 2026, o valor saltou para cerca de R$ 4,5 bilhões — um aumento que praticamente duplicou o montante em apenas doze meses.
Os dados oficiais confirmam a tendência desde o início do ano. Já no primeiro trimestre de 2026, a Receita Federal havia registrado R$ 3,4 bilhões arrecadados com apostas, um crescimento de 123,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O faturamento das casas de apostas seguiu a mesma trilha: as empresas licenciadas faturaram aproximadamente R$ 12,2 bilhões no primeiro quadrimestre de 2026, também o dobro do registrado um ano antes. Como a carga tributária corresponde a cerca de 37% da receita dessas empresas, dá para entender de onde vem o volume recolhido aos cofres públicos.
Comparável ao tabaco e à agricultura
Para dimensionar o tamanho desse número, vale a comparação: os R$ 4,5 bilhões arrecadados em apenas quatro meses já colocam as apostas num patamar próximo ao de setores tradicionais da economia. A indústria do tabaco e a agricultura, por exemplo, contribuem cada uma com cerca de R$ 1 bilhão por mês em impostos.
Ou seja: em pouco mais de um ano de mercado regulado, as bets passaram a rivalizar em arrecadação com atividades econômicas consolidadas há décadas. É um sinal claro da escala que o setor alcançou.
De onde vem esse dinheiro
A explicação para a disparada é estrutural. Desde janeiro de 2025, quando o mercado passou a operar plenamente sob as novas regras, o governo implementou um imposto de 12% sobre a receita bruta das empresas — a chamada GGR (Gross Gaming Revenue), o que sobra depois de pagar os prêmios aos apostadores. A esse tributo se somam outros, como PIS e Cofins.
A formalização foi o ponto de virada. Ao estabelecer critérios rígidos de licenciamento e fiscalização, a regulamentação ampliou a base tributável e permitiu à Receita enxergar receitas que antes escapavam completamente do radar. O que era um mercado informal virou uma fonte relevante de arrecadação — e o governo tem reforçado o cerco ao que ficou de fora: recentemente, Lula assinou um decreto que prevê o bloqueio de recursos de bets ilegais, num esforço para proteger o mercado regulado.
Um retrato do tamanho do mercado
Os números por trás da arrecadação revelam a dimensão do setor. Ao longo de 2025, primeiro ano do mercado regulado, o faturamento anual das casas de apostas chegou a R$ 36,9 bilhões, e o governo arrecadou R$ 9,95 bilhões em tributos no período.
O alcance social também é expressivo: cerca de 25 milhões de CPFs fizeram apostas em 2025, com um gasto médio estimado em R$ 123 por mês por apostador. Esse crescimento acelerado também expôs pontos que ainda precisam de ajuste — como mostra o debate em torno de como a Cazé TV escancarou uma lacuna nas regras da publicidade de bets no país, sinal de que a regulamentação segue em evolução.
Mercado concentrado em poucas marcas
Apesar de o Ministério da Fazenda já ter emitido 85 licenças — que operam quase 190 sites autorizados —, o mercado é bastante concentrado. Cerca de dez marcas controlam perto de 70% de toda a receita do setor no país.
A liderança fica com operadoras estrangeiras e algumas nacionais que se firmaram rapidamente no topo do ranking, num cenário competitivo em que as maiores casas disputam a preferência do apostador brasileiro — seja nas apostas esportivas, seja nos jogos de cassino online, como o blackjack online.
O que esperar dali para a frente
As projeções apontam para números ainda maiores. A Receita Federal estima uma arrecadação total entre R$ 11 bilhões e R$ 13 bilhões para 2026 — e a Copa do Mundo, no segundo semestre, deve aquecer ainda mais o volume de apostas e, consequentemente, a arrecadação.
Há também um cronograma de aumento da tributação: a alíquota sobre o GGR sobe de 12% para 13% em 2026, chegando a 14% em 2027 e 15% em 2028. Isso significa que, mesmo que o ritmo de crescimento do faturamento desacelere conforme o mercado amadurece, a contribuição aos cofres públicos tende a continuar subindo.
O recado dos números é claro: em pouco mais de um ano, as apostas saíram da informalidade para se tornar uma das fontes de arrecadação que mais crescem no Brasil — com recordes sendo batidos a cada balanço divulgado.
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