
O Exército Brasileiro intensificou a modernização de sua frota de veículos de combate por meio do Programa Estratégico Forças Blindadas, iniciativa voltada à ampliação da capacidade operacional da Força Terrestre diante dos desafios do cenário geopolítico contemporâneo. O planejamento prevê a incorporação de mais de 2.100 blindados até 2040.
O programa contempla aquisição, modernização e revitalização de diferentes plataformas blindadas empregadas pelas tropas de Infantaria e Cavalaria, reforçando mobilidade, proteção, poder de fogo e capacidade de resposta do Exército em operações convencionais e multidomínio.
Entre os principais vetores do programa estão a Viatura Blindada de Transporte de Pessoal Média Sobre Rodas (VBTP-MSR) Guarani 6×6, a Viatura Blindada Multitarefa (VBMT) Guaicurus 4×4 e a Viatura Blindada de Combate de Cavalaria (VBC Cav) Centauro II 8×8.
Segundo o Exército, mais de 820 blindados já haviam sido adquiridos ou contratados até o fim de 2025, consolidando um dos maiores ciclos de modernização da Força Terrestre nas últimas décadas.
Guarani 6×6 amplia mobilidade das tropas mecanizadas
O blindado Guarani é considerado a espinha dorsal da modernização das tropas mecanizadas brasileiras. Produzido no Brasil, o veículo possui cerca de 18 toneladas, tração 6×6 e capacidade anfíbia, podendo operar em rios e áreas alagadas sem preparação prévia.
O modelo pode atingir até 110 km/h, possui autonomia aproximada de 600 quilômetros e pode receber diferentes sistemas de armas, incluindo metralhadoras e torres equipadas com canhão de 30 mm. Além da versão de transporte de tropas, o programa prevê variantes para engenharia, comunicações, comando e controle e evacuação médica.
Atualmente, mais de 700 unidades do Guarani já estão em operação, inclusive em áreas de fronteira consideradas estratégicas para a defesa nacional.

Guaicurus reforça operações de amplo espectro
A VBMT Guaicurus 4×4 foi desenvolvida para missões de alta mobilidade e atuação em múltiplos cenários operacionais. Com cerca de oito toneladas, o blindado possui sistemas modernos de comunicação e capacidade de operação em terrenos complexos e alagados.
O veículo pode operar com armamentos automatizados equipados com câmera termal, permitindo identificação de alvos em baixa visibilidade sem exposição direta do operador. O Exército já possui 32 unidades em serviço e projeta adquirir mais de 420 viaturas até 2033.
Centauro II eleva poder de fogo da Cavalaria
Outro destaque do programa é o Centauro II 8×8, classificado como veículo “caça-tanques” devido à sua capacidade de neutralizar blindados inimigos a grandes distâncias. A plataforma é equipada com canhão estabilizado de 120 mm e sistemas eletrônicos avançados de combate.
A viatura pode atingir até 105 km/h e possui autonomia aproximada de 800 quilômetros, ampliando significativamente a capacidade de dissuasão e resposta da Cavalaria Mecanizada brasileira. Dois protótipos já foram aprovados e outras 96 unidades deverão ser incorporadas nos próximos anos.
Modernização do Cascavel e revitalização do Leopard
O programa também prevê a atualização de blindados já empregados pela Força. O Cascavel passa por modernização de sistemas eletrônicos e operacionais para manter relevância no campo de batalha contemporâneo.
Já o Leopard 1A5, principal carro de combate sobre lagartas do Exército, seguirá em processo de revitalização para permanecer operacional até 2040. O blindado, equipado com canhão de 105 mm e sistemas de visão térmica, representa um dos principais meios pesados da Força Terrestre.
Indústria nacional e soberania tecnológica
Além do aspecto operacional, o Programa Forças Blindadas possui forte impacto estratégico na Base Industrial de Defesa brasileira. O Exército destaca que contratos de offset — mecanismos de compensação industrial e transferência de tecnologia — contribuem para geração de empregos qualificados, fortalecimento da cadeia produtiva e aumento da autonomia tecnológica nacional.
O programa também inclui modernização de simuladores militares, atualização da torre UT-30 e o desenvolvimento do míssil antitanque Max 1.2 AC, sistema de fabricação nacional voltado ao combate de alvos blindados.

Contexto estratégico adicional:
A modernização das forças blindadas acompanha uma tendência global de atualização das capacidades terrestres diante de conflitos recentes observados na Europa Oriental e em outros cenários de alta intensidade. Mobilidade, proteção blindada, guerra eletrônica e integração multidomínio tornaram-se elementos centrais das forças terrestres modernas.
No caso brasileiro, o programa reforça a capacidade de defesa territorial, aumenta o poder de dissuasão regional e fortalece a presença operacional em áreas estratégicas, incluindo fronteiras e regiões de difícil acesso.
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