
A equipa do FC Porto está cada vez mais perto de se sagrar campeã nacional numa altura em que faltam apenas três jogos para a conclusão da Liga Portugal. Na próxima ronda os azuis e brancos defrontam o Alverca no Estádio do Dragão e podem até fazer a festa, bastando para tal que vençam o seu adversário. Tudo porque o Sporting, que defrontou o AVS Futebol, último classificado e já despromovido à Liga 2 – mesmo antes do confronto com os leões – consentiu um inesperado empate a uma bola no terreno do lanterna vermelha. E, pior do que isso, sendo praticamente impossível revalidar o título, fica a depender do Benfica para chegar ao segundo lugar, pois os encarnados têm vantagem em caso de igualdade pontual no final da prova, o que pode inviabilizar a ida do emblema de Alvalade à Liga dos Campeões, dado só os dois primeiros classificados terem acesso à milionária competição europeia a nível de clubes.
Num ápice, tudo mudou. A já “anunciada” conquista da Liga Portugal por parte do FC Porto ficou bem mais facilitada e as contas são muito fáceis de fazer: vence no próximo sábado o Alverca no Estádio do Dragão e é campeão. Caso não o consiga, o que é muito pouco provável, poderá fazê-lo na deslocação ao recinto do AVS Futebol, restando-lhe depois um último encontro no seu recinto quando receber os açorianos do Santa Clara. Teoricamente, as dificuldades não serão muitas, pois os seus adversários estão para baixo do meio da tabela, pelo que a encomenda das faixas de campeão pode já começar a ser feita. Seguramente, o Dragão irá dentro de menos de uma semana viver um momento de glória que escapa há três anos, já que a partida com o Alverca, tranquilo a meio da tabela, não se antevê complicada.
Dois golos do atacante turco Deniz Gul, contra um do avançado cabo-verdiano Jovane Cabral, sentenciaram um confronto que se antevia renhido, pois o Estrela da Amadora, sempre incómodo a atuar no seu campo, ainda não está livre de cair nos lugares de despromoção. O FC Porto entrou em campo a mandar no jogo e a controlar todos os acontecimentos, com o jovem extremo polaco Oskar Pietuszewski, de apenas 17 anos, a ter algumas jogadas de bom recorte técnico pelo lado esquerdo do ataque. E foi ele próprio que esteve na origem do primeiro golo dos dragões, aos 17 minutos, após ultrapassar diversos adversários, como que por magia, para sofrer uma carga à margem das leis dentro da área. Chamado à conversão do penálti, Deniz Gul não vacilou e atirou forte, sem que o guardião estrelista tivesse sequer hipótese de chegar à bola.
Os portistas pareciam embalados e decididos a resolver cedo a questão, persistindo numa toada atacante com que dominaram o seu opositor, para, aos 37 minutos, Deniz Gul marcar o seu segundo golo com um forte remate de cabeça, após cruzamento bem medido na direita do lateral português Alberto Costa. Tudo bem feito, com o Estrela da Amadora a ver jogar, sem que conseguisse uma jogada mais intencional no intuito de colocar em perigo a baliza defendida pelo internacional português Diogo Costa. Até final da primeira parte o FC Porto limitou-se a controlar, mas sempre mais audaz no ataque, pelo que estava bom de ver que a conquista dos três pontos jamais escaparia.
Faltou ao Estrela… a estrelinha da sorte
Estava bom de ver, mas não foi bem assim. Logo no início do segundo período, o treinador do Estrela da Amadora revolucionou o seu onze, fazendo entrar, de uma assentada, três jogadores. O cabo-verdiano Jovane Cabral, o guineense Jefferson Encada e o português Paulo Moreira trouxeram uma outra dimensão ao futebol dos estrelistas, obrigando mesmo o FC Porto a encolher-se no terreno, para lá dos inúmeros erros em que passou a incorrer. O jogo ficou bem mais aberto e o Estrela começou a acreditar que poderia chegar ao golo, o que obrigou Francesco Farioli a fazer algumas alterações, ainda que sem efeitos práticos, bem antes pelo contrário.

A partida ficou aberta e Jovane Cabral acabou por trazer à sua equipa a profundidade que faltava, obrigando o FC Porto a recuar no terreno. E foi o cabo-verdiano a protagonizar uma jogada de muito perigo para as redes dos dragões num primoroso passe para o atacante nigeriano Marcus Abraham, que enviou a bola ao poste. O futebol é fértil em surpresas, mas algumas delas evitáveis caso não se passe do oitenta para o oito num abrir e fechar de olhos, pois nada fazia prever tal cenário dada a superioridade do conjunto portista.
Uma ameaça bem séria e repetida pouco depois – e logo em dose dupla -, primeiro com um remate do avançado brasileiro Rodrigo Pinho aos ferros, depois, na recarga, novamente com Marcus a fazer tremer o poste da baliza defendida por Diogo Costa. Fala de sorte para o Estrela da Amadora, que não teve aquela estrelinha da sorte que por vezes é necessária. Tudo porque o FC Porto colocou-se a jeito, como algumas vezes tem acontecido ao longo do campeonato, desta vez porque Farioli terá sido algo precipitado ao mexer prematuramente no onze. As saídas do médio brasileiro Pepê e do lateral português Alberto Costa para as entradas de William Gomes e de Martim Fernandes não surtiram o efeito desejado e, muito menos, a troca de Deniz Gul pelo nigeriano Terem Moffi.

De ameaça em ameaça, o Estrela acabou mesmo por chegar ao golo, aos 79 minutos, na sequência de um livre do neerlandês Van Hooijdonk, com Jovane Cabral a desviar subtilmente na área. A partir daí viu-se um FC Porto à deriva, bastante recuado, na nítida intenção de segurar a preciosa vantagem. Já perto do final, o guardião Diogo Costa teve mesmo de se aplicar para segurar uma cabeçada do sérvio Stefan Lekovic, apenas sossegando quando o árbitro deu a partida por terminada.
Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Temos três jogos para jogar e o nosso foco está no próximo. Há nove pontos em disputa e agora vamos focar-nos no próximo jogo em nossa casa. Estamos conectados com o nosso presente, o passado é passado. Estamos a fazer uma época muito boa, com resultados importantes, mas ainda há três jogos que temos de disputar com a nossa máxima qualidade e com a máxima energia. Não houve qualquer celebração aqui a não ser a celebração de mais uma vitória.”
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

