
Numa partida muito emotiva e com inúmeras faltas, por vezes disputada no limite do risco, o Sporting levou a melhor sobre o FC Porto e carimbou o passaporte para a final da Taça de Portugal, a disputar no Estádio do Jamor, valendo-se do triunfo há um mês alcançado em Alvalade. Luis Suárez acabou por ser o herói da eliminatória, pois o golo que apontou na partida da primeira mão foi crucial para que os leões, detentores do troféu, alcançassem a sua terceira final consecutiva. O seu adversário sairá do confronto entre o Torreense e o Fafe, dois conjuntos que militam em escalões inferiores do futebol português. Naturalmente que a formação de Alvalade é a grande favorita à conquista da Taça, restando aos portistas consolidarem a liderança na Liga Portugal, aparentemente uma tarefa facilitada em função dos opositores que têm pela frente nas quatro rondas que faltam disputar.
Mais uma vez, como normalmente acontece, o confronto entre FC Porto e Sporting foi bem renhido e jogado em algumas situações para lá do razoável. Logo a começar nos instantes iniciais com um derrube do defesa português Gonçalo Inácio ao extremo William Gomes. O jogador leonino teve uma entrada muito violenta sobre o portista ao atingir a perna do brasileiro, lance que deveria, no mínimo, ter sido sancionado com o cartão amarelo, ainda que o vermelho fosse a cor indicada. O lance desenvolveu-se fora da área e o árbitro fez vista grossa à infração, deixando o jogo prosseguir. O certo é que ambos os futebolistas tiveram de receber assistência médica e o defesa do Sporting, fruto da entrada negligente, teve mesmo de abandonar o campo poucos minutos depois, substituído pelo belga Zeno Debast.
A jogar com a vantagem mínima alcançada na partida da primeira mão em Alvalade, o Sporting abdicou praticamente de atacar ao dar a iniciativa de jogo ao FC Porto. Só que a partida, considerada uma final antecipada, ficou muito aquém das expectativas. Em boa verdade – e já não é de agora – a equipa orientada pelo italiano Francesco Farioli teve o controlo das operações, mas falhou redondamente no capítulo ofensivo. Já o temos dito em outras ocasiões, falta aos azuis e brancos gente capaz de fazer a diferença na área, pois nem o turco Deniz Gul e, muito menos, o nigeriano Tarem Moffi são soluções credíveis face à ausência do lesionado atacante espanhol Samu Aghehowa. O conjunto portista vale-se essencialmente do jogo incisivo dos seus extremos William Gomes e do jovem polaco Oscar Pietuszewski, mas falta o tal homem de área, o chamado matador. Já o Sporting conta com o colombiano Luis Suárez, o melhor marcador da Liga Portugal, ainda que neste jogo tenha andado ao sabor do que a sua equipa (não) fez, ou seja, limitou-se a controlar os acontecimentos face à vantagem de um golo que levou para o Dragão.

Ocasiões flagrantes de golo só mesmo a terminar
Com o confronto a descambar sistematicamente para o confronto físico, com duelos pouco recomendados e não sancionados pelo árbitro, o jogo conheceu momentos monótonos, pois as paragens foram muitas. Ainda assim, o FC Porto esteve mais perto de marcar ao minuto 41, mas Pietuszewski desperdiçou uma excelente ocasião de isolar o meio-campista dinamarquês Victor Froholdt. Um remate do médio ofensivo espanhol Gabri Veiga, que Zeno Debast foi a tempo de desviar, foi tudo o que se viu em termos de jogadas mais intencionais durante os primeiros 45 minutos.
Se dentro do campo as coisas estavam bem quentes, fora dele também se podia dizer o mesmo. O banco portista levantou-se por várias ocasiões, uma delas valendo mesmo a expulsão de Lucho González, o antigo craque do FC Porto, agora adjunto de Francesco Farioli. O argentino irritou-se e protestou de forma veemente um lance duvidoso dentro da grande área, após lance com William Gomes, e o árbitro não esteve com contemplações. Muitos nervos à flor da pele numa partida intensa e demasiadamente faltosa, sem que ambas as equipas conseguissem mostrar o futebol apresentado noutras ocasiões.
A época já vai longa, o desgaste é muito, e as contrariedades surgem com frequência, como a que aconteceu o dinamarquês Morten Hjulmand. O categorizado capitão dos leões, que na próxima temporada deverá rumar a outras paragens, foi obrigado a abandonar o campo com queixas físicas, deixando a sua posição no miolo do terreno ao português Daniel Bragança. Farioli ainda tentou responder com a entrada do possante argentino Alan Varela para o lugar do veterano brasileiro Thiago Silva, fazendo descer o dominicano Pablo Rosario para jogar ao lado do central polaco Jan Bednarek, mas as trocas não trouxeram grandes novidades.

Já na segunda parte, com as entradas em simultâneo do médio brasileiro Pepê, do jovem prodígio português Rodrigo Mora, bem como do nigeriano Terem Moffi, o FC Porto ganhou outra profundidade atacante e rondou mais de perto a baliza defendida pelo internacional português Rui Silva. O Sporting também respondeu com uma tripla alteração e foi mesmo o extremo brasileiro Luís Guilherme que esteve perto de abrir o marcador no Dragão, depois de fugir pela esquerda, para, isolado, rematar a permitir uma enorme defesa do guardião Diogo Costa, titular da baliza da Seleção Nacional.
Por fim, já depois de Alan Varela ter visto o cartão vermelho, aos 87 minutos, após revisão do VAR, na sequência de uma entrada por trás e violenta sobre o colombiano Luis Suárez, o FC Porto teve à sua disposição o golo que lhe poderia dar o prolongamento na eliminatória. Valeu a extraordinária defesa do guardião Rui Silva (90+9 minutos) a negar o golo a Tarem Moffi, para Victor Froholdt atirar por cima da barra na recarga. E foi tudo o que de melhor se viu da equipa dos dragões, que assim falha a final da festa do futebol no Estádio do Jamor, onde o Sporting terá como opositor o Torrense, da II Liga, ou o Fafe, da Liga 3.
Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Estou muito orgulhoso pelo desempenho que tivemos. Esta noite ficou muito claro o que nós fizemos e o que os outros fizeram. Não marcámos o golo que merecíamos, mas dominámos o Sporting por completo em todos os momentos, com 11 jogadores e com 10 jogadores. Eles vieram aqui para perder tempo, esmagámo-los a todos os níveis. Deixem-me dizer isto de forma muito clara: o FC Porto está de volta! Perdemos alguma lucidez quando vemos algumas coisas a acontecer, mas tenho muito orgulho em treinar esta equipa de jogadores fantásticos. Com a exceção desta eliminatória e da eliminatória da Liga Europa, nas quais fomos eliminados, ainda não vi nenhuma equipa melhor do que nós. Há que aceitar o que aconteceu em campo, mas o desfecho não foi aquele que queríamos.”
Rui Borges (treinador do Sporting) “A presença na final não é salvação nenhuma. Oriento-me por aquilo que é a grandeza do clube que represento, pela felicidade que tenho de o representar, e foco-me muito naquilo que é o meu trabalho. O primeiro objetivo de um grande clube é estar presente nas disputas finais dos troféus. O campeonato está mais difícil, mas matematicamente ainda é possível, jamais me dou por vencido e, dentro do que é possível, vamos à luta. Estamos na final da Taça e, na UEFA Champions League, fizemos uma grande prestação.”
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

