
Foi um adeus precoce, mas o FC Porto só se pode queixar de si próprio, pois teve ocasiões de sobra para passar às meias-finais da Liga Europa. As inúmeras ocasiões de golo falhadas na partida da primeira volta no Estádio do Dragão, a que se junta o tremendo erro de Martin Fernandes ao marcar na própria baliza com um passe despropositado desde o meio-campo para o guardião Diogo Costa, juntou-se, desta vez, novo erro de palmatória. Quando apenas estavam jogados oito minutos no City Gound, em Inglaterra, o central polaco Jan Bednarek, patrão da defesa dos dragões, teve uma entrada despropositada e completamente à margem das leis sobre o avançado neozelandês Chris Wood, que o árbitro sancionou com a respetiva expulsão após visionar as imagens. Logo a seguir o FC Porto sofreu o golo que valeu a eliminatória à formação comandada pelo português Vítor Pereira, reagindo apenas no segundo período, tendo enviado duas bolas à barra. Um adeus precoce à Liga Europa, curiosamente num país onde nunca venceu em jogos oficiais.
O duro golpe sofrido nos instantes iniciais da partida baralhou por completo a estratégia de Francesco Farioli. Como tem sido habitual, o técnico italiano alterou substancialmente o onze inicial, se comparado com o que defrontou e venceu o Estoril Praia (3-1) para a Liga Portugal. De certa forma compreende-se esta rotação, pois os jogos são muitos e o FC Porto atua em várias frentes, com óbvia prioridade para o campeonato nacional. Só que deixar de fora elementos como Viktor Froholdt, Jakub Kiwior, Alan Varela, Deniz Gul e Rodrigo Mora – nem sequer saiu do banco – acarreta riscos sérios. Aliás, a produção portista apenas conheceu uma maior dinâmica e intensidade no início do segundo período com a entrada em simultâneo de quatro reforços. E algum azar também, pois o extremo brasileiro William Gomes e o meio-campista argentino Alan Varela enviaram duas bolas à barra.
Ainda antes do lance que ditou a amostragem do cartão vermelho a Bednarek, a equipa portista dispôs de uma boa oportunidade para marcar, mas o atacante Tarem Moffi, isolado pelo lateral português Alberto Costa, não foi capaz de iludir o guarda-redes alemão Stefan Ortega. O possante dianteiro poderá ser muito voluntarioso, mas esta já não é a primeira vez que falha redondamente em situação privilegiada, pelo que a opção de Farioli em não utilizar o internacional turco Deniz Gul pode ter pesado na produção atacante dos dragões. E, claro, não poder contar com o espanhol Samu, a recuperar de uma grave lesão, tem contribuído muito para o desacerto na frente de ataque.
Confortável, o Nottingham Forest foi para a frente e Morgan Gibs-White atirou a contar, na sequência de uma grande jogada individual depois de ganhar a bola a meio-campo. O remate, forte, sofreu um desvio no dominicano Pablo Rosario, que logo após a expulsão de Bednarek recebeu instruções para descer no terreno e ocupar o lugar do central polaco, traindo o guardião Diogo Costa. A formação britânica, que enfrenta uma luta tremenda para se manter na Premier League, passava assim para a frente da eliminatória depois do empate a uma bola no Estádio do Dragão.
Tudo muito complicado para o FC Porto. Sem capacidade de reação, o conjunto inglês aproveitou o desnorte do adversário e podia ter resolvido definitivamente a questão em algumas ocasiões. Entre outras ocasiões, o zagueiro brasileiro Murillo, natural de São Paulo, arrancou um remate que saiu a centímetros da baliza portista, para o meio-campista argentino Nicolás Dominguéz também ter andado lá perto com um remate de cabeça no primeiro minuto de compensação. Os dragões viram-se e desejaram-se para contrariar o futebol mais atlético e veloz de um opositor que entrou muito forte e disposto a vencer a partida.
Revolução de Farioli não resultou por pouco
O técnico do FC Porto não teve dúvidas em lançar, de uma só vez, quatro jogadores frescos. Uma autêntica revolução logo no início da segunda metade do encontro que alterou por completo o figurino do jogo. Mesmo a jogar com menos uma unidade, os dragões estiveram muito perto de, pelo menos, levar a partida para prolongamento. Só que os remates do extremo brasileiro William Gomes, aos 57 minutos, e o violento disparo do argentino Alan Varela, aos 84 minutos, bateram estrondosamente na barra da baliza da formação britânica. Porém, o internacional brasileiro Igor Jesus não fez a coisa por menos e, instantes antes do remate do argentino, também já tinha levado a bola a embater nos ferros da baliza do FC Porto.
A formação azul e branca foi claramente superior à do seu adversário, obviamente na segunda metade do encontro, mas é impossível deixar de pensar no jogo da primeira mão no Estádio do Dragão. As claras oportunidades então desperdiçadas deitaram tudo a perder, agravadas em Inglaterra logo após a expulsão do central polaco Jan Bednarek oito minutos depois do início da partida. Fica pelo caminho a melhor das duas equipas, que agora tem no próximo domingo novo confronto para a Liga Portugal com o quase despromovido Tondela. Já o Nottingham Forest avança para as meias-finais da Champions, onde encontrará os também ingleses do Aston Villa, que eliminou os italianos do Bolonha.
Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Toda a gente se questiona o que seriam estes quartos-de-final com 11 contra 11 nesta segunda mão. No Dragão fizemos um jogo fantástico, com muitas oportunidades, e hoje, com dez, os jogadores foram ao limite, especialmente na segunda parte. Tivemos duas bolas na trave e oportunidades para marcar. Não estamos felizes com este desfecho, mas por outro lado estou muito orgulhoso por ter a oportunidade de trabalhar com este grupo de jogadores. Provavelmente merecíamos estar nas meias-finais, mas temos de aceitar este desfecho. Provámos que conseguimos competir a um nível alto e que a nossa combatividade e o nosso espírito estão no lugar certo, mas por vezes só isso não é suficiente.”
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

