
Num encontro muito equilibrado, quer em termos exibicionais como em oportunidades de golo, valeu ao Arsenal o golo do meio-campista alemão Kai Havertz, já no prolongamento, com que a formação britânica bateu os leões na partida de Lisboa. Desta feita, os “gunners” voltaram a ter a sorte pelo seu lado, pois o Sporting dispôs de algumas ocasiões para empatar a eliminatória. Falhada a chance de seguir em frente na Champions, onde teria como adversário o sensacional Atlético de Madrid, que eliminou o todo poderoso Barcelona, os leões viram-se agora para as competições de consumo interno. No próximo domingo defrontam o Benfica para a Liga Portugal, importante para a consolidação do segundo lugar, e dias depois deslocam-se ao Dragão para defrontar o FC Porto no jogo da segunda mão da Taça de Portugal.
Quem, antecipadamente, anunciou o afastamento da formação de Alvalade da principal prova europeia de clubes disse-o tão só porque o favoritismo estava do lado do líder da Premier League. Só que o Arsenal, mesmo sendo uma equipa poderosa e com outros argumentos que o Sporting não possui, sofreu três derrotas nos últimos quatro confrontos – curiosamente só ganhou aos leões –, com a agravante de alguns dos seus elementos normalmente titulares se encontrarem lesionados. Aliás, o Manchester City, que conta menos um jogo na liga inglesa, está a aproximar-se perigosamente da dianteira, pelo que os comandados do técnico espanhol Mikel Arteta têm mesmo de fazer bem melhor do que aquilo que mostraram na partida com o Sporting.
O reencontro dos leões com o conjunto onde alinha o seu antigo jogador Viktor Gyokeres, que mal se viu, foi bem revelador da ambição do conjunto orientado pelo português Rui Borges, mas terá faltado alguma intensidade ao seu jogo. Claro que o Arsenal, a jogar em casa, revelou uma maior apetência no aspeto ofensivo, tentando tomar conta do jogo desde o primeiro minuto. A diferença mínima nunca poderia servir de almofada para encarar a partida de forma cautelosa, pelo que o conjunto inglês procurou dilatar a vantagem. Mas foi o Sporting o primeiro a criar perigo através do extremo internacional português Francisco Trincão ao arrancar um disparo ligeiramente ao lado da baliza, após excelente passe do capitão Morten Hjulmand. À meia hora de jogo coube a Pedro Gonçalves criar nova jogada de perigo, mas o remate saiu perto do poste esquerdo da baliza defendida pelo guardião espanhol David Raya.
Ainda antes do intervalo, o internacional moçambicano Genny Catamo atirou a bola à base do poste, bem servido pelo uruguaio Maxi Araújo. Três excelentes ocasiões que podiam ter mudado os acontecimentos, mas o Arsenal também dispôs de algumas boas situações para marcar, primeiro pelo irreverente ponta-esquerda brasileiro Gabriel Martinelli, depois através de uma jogada individual do extremo inglês Madueke. Mesmo mais agressivo e intenso, o conjunto britânico não se livrou de uns quantos sustos diante de um adversário que foi ao Emirates Stadium bater-se de igual para igual, o que não é para qualquer um.
História da segunda parte sem grandes novidades
Os segundos 45 minutos do encontro não foram muito diferentes do que até então se tinha passado. Cauteloso, o conjunto inglês baixou as suas linhas e apostou numa toada de contra-ataque, normalmente com lances em profundidade na procura dos extremos. O belga Trossard, lançado para o lugar de Martinelli, ainda atirou uma bola ao poste da baliza leonina, mas o Sporting também esteve perto de igualar a eliminatória, não fosse o remate do jovem português João Simões, que substituiu o japonês Morita, ter saído a escassos centímetros do poste.
Ambos os técnicos jogaram as suas cartadas, mas o cariz de jogo manteve-se idêntico e praticamente inalterável. O Arsenal não foi melhor do que o seu adversário, pois o Sporting tudo fez para merecer outro resultado. O encontro da primeira mão acabou por ser decisivo e segue para as meias-finais da Champions a equipa mais feliz e que menos erros cometeu. Assim, o emblema de Alvalade perdeu uma excelente oportunidade de fazer história, pois acabou por desperdiçar uma soberana ocasião de passar às meias-finais da Champions, o que constituiria um marco histórico no seu historial.
Rui Borges (treinador do Sporting): “Creio que nos dois jogos fomos superiores ao Arsenal, acabam por ter sorte com o golo em Alvalade e passam. Tivemos personalidade nos dois encontros, neste ambiente extraordinário, os nossos adeptos também foram extraordinários. Merecíamos mais, mas saímos de cabeça levantada, de cabeça erguida, pela força e alegria que demonstraram. Defrontámos uma defesa extraordinária. O Luis Suárez esteve a toda a hora em duelos físicos, que cansam. Nos dois jogos, as melhores oportunidades são do Sporting. Eles não criaram tantas oportunidades. Muito sinceramente, não podia pedir mais, estou muito feliz.”
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

