
O Mirassol é mais um representante paulista na história de competições internacionais. O clube vive o auge de sua história, com a expectativa de sua estreia na Libertadores de 2026; entretanto, o Leão não é a única equipe emergente do futebol paulista a competir em um torneio fora do país. São Paulo é o estado do Brasil que mais enviou clubes de fora de sua capital para campeonatos continentais.
Da Região Metropolitana, passando pelo ABC ao interior, sete equipes paulistas conquistaram o direito de disputar os torneios da América do Sul, com campanhas marcantes que chamaram a atenção do continente.
Além do Santos, tricampeão da Libertadores, Guarani, Paulista, Ponte Preta, Mirassol, Red Bull Bragantino, Santo André e São Caetano foram os representantes das cidades paulistas que não fazem parte da ‘Terra da garoa’.
Guarani
O Guarani esteve no cenário internacional em quatro oportunidades, sendo três na Libertadores, em 1979, 1987 e 1988, além de uma participação na Copa Conmebol, em 1995.
Em 1979, ano de sua estreia no continente, o Bugre chegou ao torneio como campeão brasileiro de 1978, diante do Palmeiras, tornando-se, até os dias de hoje, a única equipe do interior campeã da elite nacional.
No Grupo 3 da Libertadores, juntamente com Palmeiras, Universitário e Alianza Lima, ambos do Peru, os comandados de Carlos Alberto Silva lideraram a sua chave, com 10 pontos em seis jogos, sendo cinco vitórias e uma derrota, sofrendo somente cinco gols e marcando 16 tentos, fechando a primeira fase como o segundo melhor ataque do torneio, empatado com o Palestino, atrás apenas do Bolívar, que balançou as redes em 18 oportunidades.
Com a classificação para a segunda fase garantida, o Guarani esteve presente na Chave B, com Olímpia e Palestino, onde o vencedor do grupo avançava para a final. E foi com a segunda colocação que o clube alviverde encerrou sua participação com um ponto, sendo superado pelo Olímpia, que viria a ser campeão da edição, derrotando o Boca Juniors.
Em seu primeiro ano, o Bugre fez jogos marcantes, como as goleadas diante do Palmeiras por 4 a 1, no Estádio do Morumbi, e 6 a 1 contra o Universitário, no Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas. Individualmente, o atacante Miltão chamou a atenção ao marcar seis gols na competição, dividindo a artilharia com Juan José Oré, do Universitário.
No ano de 1987, vindo do vice-campeonato brasileiro da temporada anterior, quando perdeu nos pênaltis para o São Paulo.
Desta vez o clube contava com nomes conhecidos, como Ricardo Rocha, Tite, Vagner Mancini e Evair, porém, não teve vida longa nesta edição da Copa, sendo eliminado na primeira fase, com a terceira colocação, com cinco pontos, no Grupo 3, que contava com Cobreloa (CHI), Colo-Colo (CHI) e São Paulo.
Na temporada de 1988, o time ganhou os reforços Cilinho, Mauro Silva e Neto, o que resultou na liderança do Grupo 5, que tinha como adversários o Alianza Lima (PER), Sport e Universitário (PER).
Foram oito pontos em seis partidas, sendo três vitórias, dois empates e uma derrota. Na segunda fase, o clube alviverde acabou derrotado em duas partidas pelo San Lorenzo, da Argentina, pelo placar agregado de 2 a 1.
Na Copa Conmebol de 1995, o Guarani fez uma breve participação, ao ser desclassificado na primeira etapa para o Atlético-MG, que viria a se tornar o vice-campeão do torneio posteriormente.
Paulista
Após a campanha histórica na Copa do Brasil de 2005, que rendeu o título ao clube de Jundiaí diante do Fluminense, deixando pelo caminho equipes como Botafogo, Internacional e Cruzeiro, o Paulista garantiu vaga na Libertadores.
No elenco campeão estavam jogadores conhecidos do futebol nacional, como Finazzi e Cristian, além de Réver e Victor, que posteriormente conquistariam a Libertadores com o Atlético-MG.
A conquista da Copa do Brasil de 2005 rendeu ao Galo da Japi uma vaga para a fase de grupos da Copa Libertadores da América.
O Paulista caiu na Chave 8, ao lado de Libertad (PAR), River Plate (ARG) e El Nacional (EQU); contudo, o desempenho não foi como na temporada anterior, e o clube acabou sendo eliminado, na lanterna do grupo, com seis pontos somados, com uma vitória, três empates e duas derrotas.
Ponte Preta
Campeã do Campeonato Brasileiro da Série C de 2025, a Ponte Preta viajou o continente para a disputa da Copa Sul-Americana três vezes: 2013, 2015 e 2017.
A campanha que mais marcante para o torcedor da Macaca aconteceu na temporada de 2013, quando chegou à grande final, mas acabou derrotada.
Com jogadores de destaque, como o goleiro Édson Bastos, os zagueiros Betão e Cléber Reis, os volantes Bruno Silva, Felipe Bastos e Fernando Bob e os atacantes Rildo e William, os comandados do técnico Jorginho superaram o Criciúma na fase preliminar da competição por 2 a 1 ao final de duas partidas.
Na sequência, deixaram para trás o Deportivo Pasto (COL), também por 2 a 1 em dois jogos, nas oitavas de final. Avançaram para as quartas, onde enfrentaram o Vélez Sarsfield (ARG), empatando em 0 a 0 no duelo de ida e confirmando o avanço na Argentina com o triunfo por 2 a 0.
Nas semifinais, o rival foi um velho conhecido do futebol paulista, o São Paulo, que foi surpreendido pela equipe ponte-pretana, que venceu por 3 a 1 no Estádio do Morumbi e garantiu a classificação à decisão com um empate por 1 a 1 no Estádio Romildo Vitor Gomes Ferreira, em Mogi Mirim.
Na grande final, um duelo difícil diante do Lanús, com o primeiro jogo sendo disputado no histórico Estádio do Pacaembu, com a partida decisiva acontecendo no Estádio Cidade de Lanús, na Argentina.
Na capital paulista, o Lanús saiu na frente, no início da segunda etapa, com Goltz balançando as redes e trazendo um clima de tensão ao Pacaembu lotado de torcedores ponte-pretanos, que voltou a explodir de emoção com o gol de empate de Fellipe Bastos, que deu números finais à partida, 1 a 1, deixando a decisão para a partida de volta. Na Argentina, Ayala e Blanco acabaram com o sonho da Ponte, que perdeu por 2 a 0, ficando com a vice-colocação do torneio.
Nas demais participações, caiu na segunda fase em 2015, diante da Chapecoense, e nas oitavas de final em 2017, contra o Sport.
Red Bull Bragantino
Na temporada de 2026, o Massa Bruta se prepara para sua sétima participação em torneios continentais. Seja como Bragantino ou como Red Bull Bragantino, a equipe já disputou Libertadores, Sul-Americana e Copa CONMEBOL.
O ano de maior sucesso internacional da equipe foi na temporada de 2021, quando chegou à final da competição, sendo derrotado pelo Athletico-PR.
Primeiro colocado do Grupo G, à frente de Emelec, Talleres e Tolima, o time de Bragança Paulista somou 12 pontos em seis partidas, com quatro vitórias e dois empates.
Nas oitavas de final, superou o Independiente del Valle por 3 a 1 em dois jogos. Nas quartas, o rival foi o Rosario Central e, com uma vitória emocionante por 4 a 3 na Argentina, garantiu a classificação em casa com um triunfo por 1 a 0.
A semifinal foi marcada por uma goleada no placar agregado, 5 a 1, garantindo a viagem ao Uruguai para enfrentar o Athletico-PR na finalíssima da competição.
Com jogadores de destaque, como a dupla de zaga Fabrício Bruno e Léo Ortiz, os meias Claudinho e Lucas Evangelista e Artur, que teve 11 participações em gols na competição, o Red Bull Bragantino chegou a primeira decisão de um campeonato continental em sua história.
Entretanto, no Estádio Centenário, em Montevidéu, o final não foi como a torcida esperava. Nikão marcou o único gol da partida, que rendeu o título da Sul-Americana ao Furacão do Paraná.
Nas outras duas participações, o Red Bull Bragantino parou nas oitavas de final. Em 2023, foi eliminado nos pênaltis para o América-MG, assim como na temporada seguinte, quando foi superado pelo Corinthians.
O clube disputou a Libertadores em duas oportunidades: em 2022, quando estava no Grupo C, com Estudiantes, Vélez Sarsfield e Nacional, não conseguiu a classificação ao mata-mata; e, na temporada de 2024, foi eliminado na terceira fase pelo Botafogo, que viria a se tornar o campeão da edição.
Ainda como Bragantino, esteve em três edições da Copa CONMEBOL, porém não teve grande sucesso. Dois anos após o título paulista de 1990, o Massa Bruta disputou o torneio com a presença de Biro-Biro, Adãozinho, Mauro Silva e Vagner Mancini; entretanto, foi desclassificado na primeira fase ao perder para o Grêmio.
Em 1993, mais uma vez o time parou na primeira fase, ao ser superado pelo Botafogo, que foi campeão do torneio naquela temporada.
Três anos depois, em 1996, o Braga fez sua melhor campanha na competição, chegando às quartas de final, eliminando o Palmeiras na fase anterior, mas sendo derrotado pelo Santa Fé (COL) posteriormente.
Santo André
O Santo André marcou o futebol nacional ao se sagrar o primeiro clube paulista de fora da capital a conquistar a Copa do Brasil, no ano de 2004, passando por Atlético-MG, Guarani, Palmeiras e 15 de Novembro, classificando-se para a final.
Após grandes desafios na campanha, a decisão trouxe outro gigante nacional pela frente: o Flamengo. Depois de um empate por 2 a 2 na primeira partida, o Ramalhão calou o Maracanã ao superar o Rubro-Negro por 2 a 0 e levantar a taça no templo do futebol mundial.
Em 2005, mais um desafio para a equipe do ABC: sua estreia em competições internacionais. No Grupo 4 da Libertadores, ao lado de Cerro Porteño (PAR), Deportivo Táchira (VEN) e Palmeiras, o Santo André ficou muito perto da classificação ao mata-mata.
Um ponto atrás do Palmeiras, na terceira posição, o Ramalhão somou oito pontos, com dois triunfos, dois empates e duas derrotas, despedindo-se da competição.
São Caetano
O início dos anos 2000 foi um período mágico na história do São Caetano. O Azulão emendou grandes participações na elite nacional e também nos campeonatos continentais.
Nas temporadas de 2000 e 2001, o clube do ABC chegou à final do Brasileirão por dois anos consecutivos, porém foi derrotado por Vasco e Athletico-PR, respectivamente.
Em sua estreia na Libertadores, em 2001, o time superou a concorrência de Defensor Sporting (URU) e Olmedo (EQU), classificando-se na segunda posição do Grupo 7, com oito pontos, atrás apenas do Cruz Azul (MEX), que somou 13 pontos. Nas oitavas de final, teve como rival o Palmeiras, que superou o Azulão nas penalidades máximas, após uma vitória para cada equipe.
No ano seguinte, em 2002, o São Caetano encantou a América ao chegar à final da Libertadores; porém, faltou a taça para coroar a grande campanha.
Líder do Grupo 1, com 12 pontos, quatro vitórias e duas derrotas, o time do ABC superou a concorrência de Cobreloa (CHI), Cerro Porteño (PAR) e Alianza Lima (PER), classificando-se para a fase seguinte.
Na abertura do mata-mata, após dois empates contra a Universidad Católica (CHI) por 1 a 1, o São Caetano garantiu a passagem à etapa seguinte nos pênaltis. Nas quartas de final, em mais uma decisão nas penalidades, desta vez contra o Peñarol (URU), avançou após vencer a segunda partida por 2 a 1, revertendo o revés de 1 a 0 sofrido no jogo de ida.
O adversário das semifinais foi o América (MEX). A vitória por 2 a 0 em casa deu tranquilidade para buscar um empate por 1 a 1 no México e carimbar a vaga na final.
Mais uma vez, o São Caetano amargou o vice-campeonato de forma cruel: venceu o jogo de ida por 1 a 0 no Paraguai, mas sofreu a virada por 2 a 1 no Pacaembu, sendo derrotado na disputa de pênaltis por 4 a 2.
Brandão foi o artilheiro da equipe, com seis gols anotados; porém, não foi o único destaque do elenco, que contava com jogadores conhecidos nacionalmente, como o volante Fábio Santos, Somália, Robert, que viria a ser campeão brasileiro com o Santos no mesmo ano, além de Marcos Senna, campeão do mundo com a Espanha em 2010.
Em 2004, última participação do clube na Libertadores até o momento, o Azulão foi o segundo colocado do Grupo 1, que contava com América (MEX), Peñarol (URU) e The Strongest (BOL). Foram oito pontos conquistados, com duas vitórias, dois empates e duas derrotas.
Nas oitavas de final, mais uma vez o América (MEX) apareceu como adversário e, assim como em 2002, o clube do ABC avançou de fase. Encerrando a participação do São Caetano, nas quartas de final, o time acabou sendo superado pelo Boca Juniors (ARG) na disputa de pênaltis.
Foram duas participações na Copa Sul-Americana, nas temporadas de 2003 e 2004, quando o clube deu adeus ao torneio na fase preliminar, sendo eliminado pelo Santos e pelo São Paulo, respectivamente.
Mirassol
Pela primeira vez em sua história, o Mirassol disputará uma competição internacional: a Copa Libertadores da América.
Pelo segundo ano consecutivo, o Leão encara um grande desafio, repetindo o protagonismo da última temporada, quando estreou na elite do Campeonato Brasileiro e alcançou feitos históricos no cenário nacional.
Em uma ascensão meteórica, o clube saiu da Série A3 do Campeonato Paulista ao auge continental em apenas 23 anos.
Como melhor estreante da história do Brasileirão na era dos pontos corridos, o Mirassol terminou na quarta colocação, com 67 pontos, garantindo vaga direta na Libertadores, sem a necessidade de disputar fases preliminares.

