
O ambiente no emblema da Luz sofreu um enorme revés com o empate a uma bola do Benfica em Rio Maior diante do Casa Pia, num recinto onde o FC Porto consentiu a única derrota da temporada no campeonato. O caldo entornou mesmo no final do encontro com o técnico José Mourinho a disparar sobre alguns jogadores, chegando a afirmar que, se pudesse, alguns deles não jogariam mais até final da temporada. Os nomes não são assim tão difíceis de adivinhar, em concreto um deles, o central português António Silva, que esteve na origem do empate ao fazer a “assistência”, nas palavras do técnico, para o médio defensivo português Rafael Brito.
Com efeito, o Benfica jogou muito pouco e só na segunda parte, principalmente após a entrada do jovem extremo Gianluca Prestianni, aos 58 minutos, é que se notou alguma melhoria no rendimento dos encarnados. O argentino, que ainda aguarda a decisão por parte da UEFA após dos alegados insultos racistas ao brasileiro Vinícius Júnior, esteve na origem do golo que inaugurou o marcador, aos 68 minutos, com um excelente trabalho pela direita e a encontrar a cabeça do norueguês Schjerderup, que entregou de pronto a Richard Ríos. O internacional colombiano que o Benfica contratou ao Palmeiras recebeu a bola em excelentes condições e cabeceou com êxito para a baliza do costarriquenho Patrick Sequeira, no que foi um ar de graça de uma equipa completamente à deriva.
A primeira parte da partida foi muito fraca e desprovida de grande interesse, praticamente com ausência de perigo junto de ambas as balizas. Com um pendor mais ofensivo, no entanto, o Benfica não conseguia chegar com perigo à área adversária. O atacante grego Vangelis não revela a veia goleadora de outros tempos, Rafa Silva, contratado há dois meses aos turcos do Besiktas parece ter sido uma aposta falhada, e o belga Dodi Lukebakio não se encontra completamente refeito fisicamente da grave lesão sofrida em novembro de 2025. Porém, entre algumas ausências, a falta maior é mesmo a do meio-campista internacional norueguês Fredrik Aursnes, ainda a recuperar de lesão muscular.
Mesmo assim, o Benfica criou uma ou outra situação de perigo, logo no início com um vistoso remate de fora da área por Richard Ríos e que obrigou o guardião dos gansos – assim é chamada a formação casapiana – a intervenção de vulto. Já perto do final dos primeiros 45 minutos, Pavlidis ainda ameaçou, mas o Casa Pia, a defender com uma linha de cinco e os restantes setores bem juntos, teve a sua oportunidade com um remate do extremo Tiago Morais, intercetado pela defesa encarnada, com o guardião ucraniano Analoliy Trubin fora do lance.
Mourinho não gostava do que via. A propósito, refira-se que o Special One foi notícia na CNN Portugal por, alegadamente, o seu empresário Jorge Mendes estar a fazer tudo para o tirar do Benfica, o que o treinador não desmentiu, limitando-se a afirmar que gostava de continuar a treinar no Benfica. O contrato do categorizado técnico português é válido até 30 de junho de 2027, mas inclui uma cláusula específica com custos reduzidos em caso de rescisão de qualquer das partes num período de 10 dias após o último jogo oficial da temporada. José Mourinho, de 63 anos, continua a ser um treinador com um vasto mercado à disposição, tendo-se falado no seu regresso ao Real Madrid, pelo que este será um tema que ainda poderá dar muito que falar.
Richard Ríos marca de cabeça… e António Silva perde a cabeça

As alterações efetuadas nas águias com o lançamento do argentino Gianluca Prestianni – só não jogou de início por ter chegado adoentado da Argentina, onde esteve a representar a seleção das pampas – e com o médio ucraniano Sudakov trouxeram aos encarnados uma outra dinâmica, que resultou em pleno com o golo de cabeça de Richard Ríos, aos 68 minutos, assistido por por Schjerderup. A iniciativa da jogada pertenceu a Prestianni e assim se desmontava uma defesa de aço, até então eficaz na forma como soube tapar todos os caminhos para a sua baliza.
Mesmo diferente, para melhor, o Benfica esteve longe de colocar em real perigo a baliza adversária. José Mourinho colocou a carne toda no assador com as entradas do atacante croata Franjo Ivanovic e do jovem dianteiro português Anísio Cabral, recentemente campeão do mundo de sub-17, mas o balde de água fria acabaria por chegar aos 78 minutos. Depois de uma jogada com sucessivos ressaltos e cortes defeituosos, a bola chegou aos pés do defesa internacional português António Silva, que fez um autêntico passe para Rafael Brito, que, em posição frontal, atirou a contar, restabelecendo o empate, resultado que se manteve até final da partida.
Com um calendário teoricamente mais complicado do que o dos seus adversários – o Benfica ainda terá de defrontar fora do seu reduto o Sporting -, são agora sete os pontos que separam as águias do FC Porto e cinco do Sporting, mas os leões têm menos um jogo. Por isso mesmo José Mourinho entendeu afastar toda e qualquer hipótese de recuperar terreno perdido, passando a concentrar-se no segundo lugar, ainda que tal cenário, na sua opinião, também seja praticamente irrealista.
José Mourinho (treinador do Benfica): “Já não dependemos de nós. Mesmo ganhando os jogos todos, não dependemos só de nós. O Sporting teria de perder outros dois pontos. Ainda é possível e pode ser que o Sporting tenha algum empate. Não perdemos, mas não penso que um empate como este enobreça o Benfica em alguma coisa ou a carreira de qualquer um de nós. Tenho de pensar bem, em conjunto, porque, neste momento, tinha vontade de não fazer jogar mais alguns jogadores, mas há valores mais altos que se levantam. São ativos, mesmo que não quisesse continuar com alguns deles. Ao nível desportivo, o objetivo possível é ficar no segundo lugar, dependendo de terceiros.”
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

