FC Porto empata com o Famalicão (2-2) para a Liga Portugal em exibição modesta e preocupante

Alarme soou no Dragão na receção a um adversário que foi superior em certos momentos, valendo, mais uma vez, a classe do guardião Diogo Costa. Sporting e Benfica pressionam e voltam a entrar nas contas do título

A defesa dos dragões teve muito trabalho pela frente, o que não é muito habitual. (Foto: FC Porto)

Os azuis e brancos estiveram muito abaixo dos níveis competitivos já apresentados ao longo da temporada. Quando faltam apenas seis jogos para a conclusão do campeonato, os sinais começam a ser preocupantes, obviamente na perspetiva do FC Porto. O Sporting soma agora menos cinco pontos do que o guia do campeonato – com menos um jogo, pois terá de defrontar no seu estádio o Tondela, partida adiada por via dos compromissos europeus – e o Benfica, que amanhã defronta o Casa Pia, pode também ficar com a mesma diferença pontual.

Teoricamente, os dragões terão um calendário mais acessível, tanto mais que Sporting e Benfica ainda têm de se defrontar entre si, mas a exibição com o Famalicão deixou muito a desejar. Aliás, o guardião internacional português Diogo Costa foi uma das grandes figuras do encontro ao evitar males maiores. O Famalicão, quinto classificado do campeonato, foi ao Dragão jogar de forma aberta e desinibida, no intuito de discutir o resultado e, justiça seja feita, não merecia sair derrotado.

Para se ter uma ideia da anarquia que foi o jogo dos portistas, basta dizer que o lateral Alberto Costa abriu o marcador aos 35 minutos com um remate fulgurante no coração da área, para o atacante brasileiro Sorriso, natural de Natal, empatar o jogo aos 54 minutos. E foi já em período de descontos que a partida ficou sentenciada, primeiro com o golo médio costa-marfinense Seko Fofana (90+1 minuto), depois com o tento da igualdade, imagine-se… na última jogada do desafio (90+9 minutos), da autoria do lateral português Rodrigo Pinheiro, que, curiosamente, fez parte da sua formação no FC Porto.

Os exuberantes festejos do empate foram mesmo alvo da ira dos adeptos do emblema do Dragão, que não perdoaram a forma como um antigo jogador da casa se manifestou, pelo que as redes sociais do promissor atleta encheram-se de comentários insultuosos. Nada que surpreenda, mas obviamente uma situação evitável, numa altura em que, bem pior ainda, o futebol português atravessa um momento complexo, com acusações mútuas entre os presidentes dos três candidatos ao título, tendo as arbitragens como alvo de toda a polémica.

Em vésperas de receber os ingleses do Nottingham Forest, partida relativa à primeira mão dos quartos-de-final da Liga Europa, equipa dirigida pelo português Vítor Pereira, o FC Porto fez um péssimo ensaio tendo em vista um brilharete na segunda maior competição europeia a nível de clubes. Claro que se trata de uma competição diferente, o técnico Francesco Farioli poderá surpreender com um onze substancialmente diferente, aliás como é habitual, mas a prioridade continua a ser a conquista da Liga Portugal, que sofreu um enorme revés.

Nos primeiros 30 minutos do jogo com a formação minhota, os dragões valeram-se da experiência e da classe do guarda-redes Diogo Costa, que por três ocasiões evitou que a bola entrasse na sua baliza. Os 47.562 espectadores presentes no Dragão viram Costa, logo aos 3 minutos, efetuar uma enormíssima defesa a remate do brasileiro Sorriso, uma das várias situações de perigo que se verificaram ao longo do encontro.

O Famalicão entrou bem melhor na partida e as ameaças sucederam-se, como a que aconteceu com um remate de fora da área do jovem internacional sub-21 por Portugal Mathias de Amorim, que levou a bola a sair ligeiramente por cima da baliza de Diogo Costa. E a terceira grande oportunidade de golo para os famalicenses surgiu através de novo tiraço, desta feita com médio-ofensivo português Gustavo Sá a fazer passar a bola ligeiramente ao lado do poste direito da baliza dos dragões.

Só depois de muita atrapalhação e de uns valentes sustos é que o FC Porto lá conseguiu reagir, como dianteiro nigeriano Tarem Moffi a estar muito perto do golo, para depois o lateral Alberto Costa inaugurar o marcador, aos 35 minutos, a passe de Moffi, com um remate fortíssimo e sem qualquer hipótese de defesa para o guardião montenegrino Lazar Carevic.

Mudanças não trouxeram nada de novo

Não foi um jogo bem conseguido, mas os portistas ainda lideram a Liga Portugal. O costa-marfinense Seko Fofana colocou os azuis e brancos em vantagem, mas a decepção chegou ao cair do pano. (Fotos: FC Porto)

Já sem o jovem prodígio português Rodrigo Mora em campo devido a lesão, substituído por Seko Fofana, o técnico Farioli lançou mão do brasileiro William Gomes, que normalmente faz a diferença, bem como do lateral português Martim Fernandes. O jogo portista ganhou outra consistência, Fofana esteve muito perto de ampliar a vantagem, mas foi o Famalicão que chegou ao golo da igualdade na sequência de um rápido contra-ataque concluído por Sorriso com uma emenda de cabeça. Motivo para dizer que o brasileiro… sorriu, mas mais do que isso, colocou justiça no resultado.

O FC Porto, mesmo passando a ter mais posse de bola, mostrou à evidência que possui lacunas evidentes no seu plantel, a maior das quais se prende com a ausência de um atacante de créditos firmados. Sem Samu Aghehowa, que sofreu uma lesão grave no joelho e não joga mais esta época, as opções são limitadas e o turco Deniz Gul nunca foi uma opção séria e credível ao atacante espanhol.

O caso do jogo aconteceu aos 67 minutos na sequência de um canto num lance dividido com Gustavo Sá, com o FC Porto a reclamar veementemente um penálti por agarrão a Deniz Gul, tendo o turco a caído na área. Há, efetivamente, um puxão na camisola, mas este é dos tais lances que se marcam… ou não marcam, tudo dependendo da intensidade do lance. O árbitro teve o seu juízo e entendeu não haver motivo para assinalar para a marca do castigo máximo. O certo é que já se marcaram grandes penalidades por muito menos, mas houve mesmo um agarrão, pelo que a infração nem se coloca em causa.

Foi já em período de descontos que o Estádio do Dragão entrou em ebulição quando Fofana, após um espetacular lance individual, rematou colocado e certeiro à baliza do Famalicão. E quando tudo indicava que o FC Porto iria somar três preciosos pontos, a equipa, incompreensivelmente, deixou-se surpreender no último momento do jogo, com Rodrigo Pinheiro a aproveitar uma série de ressaltos, depois do guardião Diogo Costa se ter adiantado no intuito de interceptar a bola.

Um autêntico balde de água fria no nono minuto de descontos, o tempo concedido pelo árbitro para colmatar as várias interrupções verificadas. O FC Porto continua na liderança da Liga Portugal, bem menos confortável do que já foi, e, agora sim, o campeonato está mesmo relançado. Depois do confronto da próxima quinta-feira no Estádio do Dragão com os ingleses do Nottingham Forest para a Liga Europa, os dragões deslocam-se ao recinto do Estoril, por norma um adversário extremamente complicado e que segue numa posição tranquila na tabela classificativa.

Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “A exibição ficou abaixo do nosso nível, apesar de termos estado à frente na reta final do jogo. É uma pena não conseguirmos o resultado que queríamos em casa. Não foi o nosso melhor jogo, mas não podemos focar-nos nisso. Tenho de agradecer aos adeptos, que ficaram do nosso lado e nos apoiaram durante 100 minutos. Agora temos de virar a página, daqui a cinco dias vamos disputar os quartos de final da Liga Europa e não temos tempo para pensar mais neste jogo.”

Vaz Mendes
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

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