
Depois do triunfo na Alemanha sobre o Estugarda (2-1), o FC Porto sabia perfeitamente que nada estava decidido, pois um golo da formação alemã era suficiente para deixar a eliminatória em aberto. E podia mesmo ter acontecido, não fosse um punhado de enormes defesas do internacional português Diogo Costa, justamente considerado um dos melhores guarda-redes do mundo. Francesco Farioli voltou a trocar as voltas ao apresentar um onze muito diferente do que havia utilizado no último jogo da Liga Portugal com o Moreirense, fazendo alinhar os mesmos jogadores que saíram vitoriosos no jogo da Alemanha referente à primeira mão dos oitavos-de-final da competição.
Com o central Thiago Silva Incluído, ao lado do polaco Jan Bednarek, que recentemente teve de se deslocar ao Brasil devido ao falecimento da sua mãe. O “Monstro”, como é apelidado, recebeu uma enorme ovação no Estádio do Dragão, precisamente na partida que ficou assinalada pela milésima participação em jogos oficiais. Ultrapassada a eliminatória com o Estugarda, o FC Porto terá agora pela frente os ingleses do Nothing Forest, orientados pelo português Vítor Pereira, que se sagrou bicampeão nacional ao serviço dos dragões.
Este encontro acabou por revelar um misto de emoções, iniciado com um minuto de silêncio devido ao falecimento de Silvino Louro, aos 67 anos, vítima de doença prolongada, um guarda-redes que defendeu as cores do FC Porto, onde conquistou dois títulos nacionais e uma Supertaça. Terminada a carreira, juntou-se a José Mourinho como técnico adjunto e esteve na conquista da Taça UEFA e da Liga dos Campeões pelos dragões, para depois estar ao lado do atual treinador do Benfica durante 18 anos, com o qual conheceu momentos de glória por essa Europa fora.
De guardião para guardião, valeu Diogo Costa na baliza do FC Porto, obrigado a trabalho reforçado em várias ocasiões ao defender o que já parecia impossível. Os alemães fizeram tudo para virar a eliminatória a seu favor e até estiveram por cima do jogo, muito pressionantes e sempre com os olhos postos na baliza adversária. Logo nos minutos iniciais, Costa, uma, duas vezes… e a bola sacudida para canto como que por magia. Foram escassos os centímetros que separaram o Estugarda do golo e o conjunto alemão fez por isso, pois apesar de derrotado vendeu bem caro a eliminatória.
Os dragões tiveram de se acautelar e, para lá de Diogo Costa, a sua defesa mostrou por que é a que menos golos sofre nas várias competições. Se as coisas não estavam fáceis, pior ficaram com os cartões amarelos exibidos ao lateral nigeriano Zaidu Sanusi, ao médio dominicano Pablo Rosario e ao português Rodrigo Mora, sempre endiabrado na hora de armar jogo. Em apenas 25 minutos, o árbitro inglês Anthony Taylor castigou duramente os jogadores portistas e deixou passar em barnco faltas idênticas a elementos do conjunto britânico. Redimiu-se mais tarde, mas esta não foi uma arbitragem à inglesa, ainda que sem erros grosseiros passíveis de inclinarem a partida para uma das partes. Ao minuto 21, o FC Porto adiantou-se no marcador por intermédio de William Gomes. Zaidu lançou em profundidade o extremo espanhol Borja Sainz, que tirou dois adversários do caminho, para assistir o jovem brasileiro contratado ao São Paulo, que surgiu no lugar certo a encostar para o fundo da baliza dos alemães.

As coisas não estavam nada fáceis, mas a baliza portista era um autêntico muro. Diogo Costa voltou a revelar toda a sua elasticidade ao impedir, de novo em dois lances consecutivos, que o Estugarda conseguisse entrar pela disputa da eliminatória. O meio-campo portista não conseguia segurar a bola e estendia autenticamente uma passadeira para os seus adversários surgirem com perigo no último terço do terreno. Mesmo assim, o conjunto de Farioli ainda beneficiou de dois lances em que podia ter dilatado a vantagem, primeiro com um forte remate de Borja Sainz que passou a escassos centímetros da barra, depois por Rodrigo Mora com um remate cruzado que levou muito perigo à baliza defendida pelo gigante alemão Alexander Nubel, guarda-redes emprestado ao Estugarda pelo Bayern Munique.
Mexidas resultaram e Froholdt faz golaço

Logo após o reinício da partida, Francesco Farioli, que deixou Rodrigo Mora nos balneários para a entrada do meio-campista dinamarquês Victor Froholdt, não tardou a fazer as devidas alterações. Com as entradas do central polaco Kakub Kiwior, do médio brasileiro Pepê, do lateral português Martin Fernandes, bem como, um pouco mais tarde, do volante argentino Alan Varela, o FC Porto ganhou outra consistência na zona intermediária. Contudo, Diogo Costa voltou a estar espetacular na baliza com uma enorme intervenção a segurar o remate do atacante Denis Undav bem no coração da área. Fabuloso. Mesmo não sendo muito comum os treinadores falarem dos guarda-redes, Farioli teve mesmo de destacar a exibição do dono da Seleção Nacional de Portugal, pois foi a ele, em grande parte, que se ficou a dever a passagem dos azuis e brancos à próxima fase da Liga Europa.
Outro dos grandes momentos da jornada europeia do Dragão aconteceu aos 72 minutos, uma autêntica obra de arte de Victor Froholdt, concluída com um potente disparo à baliza do Estugarda. O jovem dinamarquês recuperou a bola numa zona alta e não mais a largou até lançar uma autêntica bomba, para espanto de Farioli, que levou as mãos à cabeça, espantado com o que acabara de fazer Froholdt. Tudo praticamente resolvido, ainda que seja de louvar a aplicação dos jogadores da formação germânica, que deram tudo para reduzir a desvantagem. O FC Porto tem agora pela frente os britânicos do Nothing Forest, orientados pelo português Vítor Pereira, técnico de boa memória para os dragões. Próximo dos lugares de descida na Premier League, os ingleses não serão pêra doce, mas os dragões poderão beneficiar desse facto, caso o emblema da cidade que viu nascer o mítico Robin Hood dê prioridade à competição interna.
Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Acho que, se considerarmos os dois jogos, fizemos por merecer a passagem. Hoje foi um jogo muito complicado, eles começaram muito fortes e defendemos bem. Concedemos muitos remates, principalmente de fora, não tivemos muita posse de bola, mas tivemos as melhores oportunidades. De realçar também é a exibição do Diogo Costa, que fez um grande jogo. Ligando isso ao lado emocional do que aconteceu ao Silvino, foi a melhor forma de preservar a memória de um excelente guarda-redes e treinador de guarda-redes. O Diogo fez uma grande exibição, mesmo com uma dor nas costas. Foi também uma performance fenomenal do Jan Bednarek e do Thiago Silva na pressão, depois todos ajudaram. Fizemos uma excelente exibição individual e coletiva e colhemos os frutos disso.”
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

