Exercício de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento mobiliza 300 militares das Forças Armadas no RS

Treinamento reúne Marinha, Exército e Força Aérea em cenário simulado de conflito para aprimorar operações multidomínio e defesa do espaço aéreo brasileiro

Exercício IVR 2026 das Forças Armadas na Base Aérea de Santa Maria no Rio Grande do Sul
Exercício IVR 2026 das Forças Armadas na Base Aérea de Santa Maria no Rio Grande do Sul. (Fotos: Divulgação/FAB)

Entre os dias 2 e 16 de março de 2026, a Base Aérea de Santa Maria (RS) sedia o Exercício Operacional de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (EXOP IVR) 2026, considerado um dos principais treinamentos do Comando de Preparo da Força Aérea Brasileira (COMPREP). A atividade reúne cerca de 300 militares e meios das três Forças Armadas, consolidando a interoperabilidade entre Força Aérea Brasileira, Marinha do Brasil e Exército Brasileiro em um cenário simulado de conflito.

Coordenado pela Base Aérea de Santa Maria (BASM), o exercício tem como objetivo adestrar unidades operacionais e equipagens de combate nas tarefas de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR), ampliando a capacidade de atuação conjunta sob o conceito de operações multidomínio, que integra ambientes aéreo, terrestre, cibernético e informacional.

De acordo com o tenente-coronel aviador Marcio Rassy Teixeira, gerente do exercício, o treinamento reúne diferentes capacidades operacionais da Força Aérea. Segundo ele, as atividades integram a coleta de dados em missões de vigilância e reconhecimento, transformando essas informações em inteligência estratégica para apoiar a tomada de decisão em operações reais.

O coronel aviador Arthur Ribas Teixeira, comandante da BASM e diretor do exercício, destaca que a atividade contribui diretamente para a capacidade de pronta resposta das Forças Armadas. Segundo ele, a integração entre Marinha, Exército e Aeronáutica fortalece a defesa do espaço aéreo e a proteção da soberania nacional, mantendo os militares preparados para atuar em situações de crise ou em missões operacionais.

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Cenário multidomínio simula situações de paz e conflito

O EXOP IVR 2026 foi estruturado em duas fases operacionais.

Na Fase 1 – Cenário de Paz, realizada entre 3 e 7 de março, as ações concentram-se na aquisição de informações por plataformas aéreas e no emprego de forças especializadas, respeitando uma fronteira fictícia criada para o exercício.

Já a Fase 2 – Cenário de Conflito, prevista entre 9 e 14 de março, amplia a complexidade das operações com missões de supressão de defesa aérea inimiga, reconhecimento tático e obtenção de dados além da linha de contato.

Segundo o sargento especialista em fotointeligência Christiam Wincker Germani, responsável pela Sala de Cenário do exercício, a célula de planejamento é responsável por estruturar todas as ordens operacionais e coordenar as ações entre as forças participantes.

Além da elaboração das missões, uma equipe de inteligência acompanha a evolução do conflito simulado, incluindo aspectos cibernéticos e de guerra eletrônica, permitindo a avaliação das operações e o aperfeiçoamento de futuros treinamentos.


Aeronaves estratégicas e sistemas de vigilância são empregados

O exercício mobiliza diversos meios aéreos e tecnológicos da Força Aérea Brasileira e das demais forças.

Entre as aeronaves participantes estão:

  • A-1M e A-29 Super Tucano (caça e ataque leve)

  • E-99M e R-99 (alerta aéreo antecipado e inteligência)

  • P-3AM e P-95M (patrulha e reconhecimento)

  • KC-390 Millennium (transporte militar)

  • H-60L Black Hawk (helicóptero de apoio)

Também são utilizados sistemas remotamente pilotados, como as aeronaves RQ-900 e RQ-1 ScanEagle, esta última pertencente à Marinha do Brasil, ampliando a coleta de dados em tempo real.

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No apoio terrestre, o exercício conta ainda com radares tridimensionais de médio e longo alcance, incluindo os sistemas TPS-B34, LP23SST-NG e GM-200, capazes de operar em ambientes com interferência eletrônica.


Participação do Exército e da Marinha reforça atuação conjunta

A Marinha do Brasil participa com meios do Primeiro Esquadrão de Aeronaves Remotamente Pilotadas (EsqdQE-1), contribuindo para a vigilância e reconhecimento em apoio às operações.

Já o Exército Brasileiro atua com meios da 3ª Divisão de Exército, empregando viaturas blindadas M-113 e Guarani, além de sistemas de defesa antiaérea Gepard.

Também participam unidades como:

  • 6ª Brigada de Infantaria Blindada

  • 1º Regimento de Carros de Combate

  • 6º Esquadrão de Cavalaria Mecanizada

  • 29º Batalhão de Infantaria Blindado

  • 6ª Bateria de Artilharia Antiaérea Autopropulsada

A integração dessas forças cria um ambiente operacional realista, no qual são testadas técnicas, táticas e procedimentos em um cenário de combate moderno.


Guerra eletrônica e defesa antiaérea elevam complexidade do treinamento

Durante o exercício, unidades de defesa antiaérea simulam a atuação como força oponente, utilizando sistemas como IGLA-S e Gepard, além de radares móveis, criando um ambiente dinâmico para treinamento das tripulações.

Também são realizadas atividades de interferência eletrônica e análise de emissões, contribuindo para o desenvolvimento de doutrina e aprimoramento das capacidades brasileiras em guerra eletrônica e defesa aeroespacial.


Treinamento fortalece preparo operacional das Forças Armadas

O EXOP IVR 2026 envolve planejamento detalhado nas áreas de logística, segurança operacional, controle do espaço aéreo e comunicações de dados, com coordenação do Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE).

Ao simular um ambiente com ameaças híbridas, guerra eletrônica e integração multidomínio, o exercício amplia o conhecimento sobre o emprego de sensores, aeronaves e analistas de inteligência, contribuindo para o aprimoramento doutrinário e o fortalecimento da defesa da soberania nacional.

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