Exército indica primeira mulher ao generalato e marca momento histórico na Força

Coronel médica Claudia Gusmão Cacho foi proposta para promoção a General de Brigada, inédita na história da instituição

Coronel Claudia Gusmão Cacho indicada para General de Brigada no Exército Brasileiro. (Foto: Exército Brasileiro)

O Exército Brasileiro propôs, pela primeira vez em sua história, o nome de uma mulher para promoção ao posto de General de Brigada. A indicação é da Coronel Médica Claudia Lima Gusmão Cacho, que poderá ingressar no generalato a partir de 31 de março de 2026.

A decisão representa um marco institucional e reforça a evolução da presença feminina na Força Terrestre, baseada em critérios de mérito, dedicação e qualificação profissional ao longo da carreira militar.

A promoção ao generalato segue um rigoroso processo conduzido pelo Alto-Comando do Exército, que considera fatores como tempo de serviço, desempenho em funções de comando e Estado-Maior, além da formação em cursos de altos estudos militares.

Carreira consolidada na área de saúde militar

Natural de Recife (PE), a coronel ingressou no Exército em 30 de janeiro de 1996 como oficial temporária, atuando no então 42º Batalhão de Infantaria Motorizado, em Goiânia (GO). Posteriormente, foi aprovada para a Escola de Saúde do Exército, onde concluiu o Curso de Formação de Oficiais Médicos em 1998.

Ao longo de quase 30 anos de serviço, construiu uma trajetória sólida na área de saúde operacional e hospitalar, com destaque para funções de liderança e gestão.

Ao longo de quase 30 anos de serviço, construiu uma trajetória sólida na área de saúde operacional e hospitalar, com destaque para funções de liderança e gestão.. (Foto: Exército Brasileiro)

Entre os cargos exercidos estão a chefia do Escalão de Saúde do Comando da 1ª Região Militar, no Rio de Janeiro; a direção do Hospital de Guarnição de Natal (RN); e a direção do Hospital Militar de Área de Campo Grande (MS).

Presença feminina em expansão nas Forças Armadas

A participação feminina no Exército Brasileiro remonta à figura histórica de Maria Quitéria, heroína da Independência do Brasil em 1823. Desde então, a presença das mulheres tem crescido de forma gradual e consistente.

Durante a Segunda Guerra Mundial, enfermeiras voluntárias tiveram papel fundamental no esforço de guerra. Já em 1992, mulheres passaram a ingressar no Quadro Complementar de Oficiais por meio de concurso público.

A partir de 1997, a inclusão feminina se ampliou com a formação de profissionais militares nas áreas de engenharia, saúde e apoio técnico. Em 2016, o Exército deu mais um passo importante ao permitir o ingresso de mulheres na linha bélica, incluindo formação de sargentos e cadetes.

Em 2025, outro marco foi registrado com a promoção das primeiras mulheres à graduação de subtenente, consolidando a presença feminina nos níveis mais altos da carreira das praças.

Agora, um novo avanço está próximo: em 2026, mulheres também iniciarão o Serviço Militar obrigatório de forma voluntária. Mais de 33 mil se alistaram em 2025, e 1.010 serão incorporadas às fileiras a partir de 2 de março.


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