Vitória magra do FC Porto frente ao Nacional (1-0) em Domingo Gordo de Carnaval

Dragões regressam aos triunfos na Liga Portugal depois do desaire com o Casa Pia num dia muito especial, que assinalou o primeiro aniversário do falecimento do eterno presidente Pinto da Costa

As equipas cumprirarm um minuto de silêncio em memória de Pinto da Costa, falecido há precisamente um ano. (Foto: FC Porto)

Um golo de cabeça do central polaco Jan Bednarek, aos 60 minutos, na sequência de um canto apontado pelo médio espanhol Gabri Veiga, foi o suficiente para que o FC Porto somasse três importantes pontos no campeonato. As deslocações à Ilha da Madeira são sempre muito complicadas, pois o Nacional é uma equipa extremamente aguerrida e difícil de bater, demonstrando-o a espaços. O FC Porto, como vem sendo habitual, voltou a exibir-se a um nível muito abaixo do que já fez em tempos, pelo que o magro resultado alcançado no Domingo Gordo de Carnaval acabou por ser uma lufada de ar fresco. Um triunfo dedicado a Pinto da Costa, o Presidente dos Presidentes, falecido há precisamente um ano, e que mantém os dragões na liderança do campeonato.

Os azuis e brancos respiraram de alívio e o caso não é para menos. O líder da Liga Portugal entrou numa fase de sofrimento e a distância para os seus concorrentes ao título nacional já foi bem mais confortável. Vencer o Nacional era mesmo obrigatório, depois da perda de cinco pontos comprometedores, primeiro com a derrota no reduto do Casa Pia, depois como empate consentido diante do Sporting no Estádio do Dragão. Numa altura em que se fala, com toda a propriedade, num acentuado decréscimo exibicional por parte dos comandados de Francesco Farioli, a insípida vitória sobre o Nacional poderá ter o condão de “arrumar a casa”. Sem poder contar com o seu máximo goleador Samu – vai ser operado em Espanha a um joelho e tem a época perdida -, a que se acrescentaram as ausências do polaco Jakub Kiwior, a recuperar de uma lesão muscular, e dos laterais portugueses Martim Fernandes, também lesionado, e de Francisco Moura, castigado, o técnico italiano viu-se obrigado a “remendar” o onze dos dragões com jogadores não muito utilizados ao longo da época.

Assim, o lateral nigeriano Zaidu entrou para a formação titular depois de um longo período ausente dos relvados devido a um forte traumatismo no gémeo, destacando-se ainda as apostas no jovem atacante polaco Oscar Pietuszewski, de 17 anos, bem como do turco Deniz Gull, a primeira alternativa a Samu. As alterações forçadas não trouxeram nada de novo aos portistas, bem antes pelo contrário. O jogo dos dragões, principalmente na primeira parte, foi demasiadamente penoso – é o termo -, mas o do Nacional não o foi menos. Duas oportunidades de possível golo, uma para cada lado, foi tudo o que se viu na Choupana, nome por que é conhecido o recinto do Nacional, por vezes assolado por intenso nevoeiro dado estar situado a 632 metros de altitude. Desta feita não houve interrupções no jogo, a não ser no futebol praticado… completamente desligado da corrente, ou seja, muito escuro aos olhos dos adeptos de ambas as equipas.

Gabri Veiga entra e dá o golo a Bednarek

A etapa complementar foi um pouco diferente, para melhor é um facto, mas só a partir do momento em que o técnico Farioli resolveu mexer “naquilo” tudo. As entradas do extremo espanhol Borja Sainz e do seu compatriota Gabri Veiga, aos 59 minutos, tiveram o condão de empurrar os dragões para a frente, de tal modo que bastou um minuto para o FC Porto chegar ao golo, o da vitória: canto apontado por Veiga e entrada fulgurante do central polaco Jan Bednarek, impondo-se de cabeça lá no alto dos seus 1,90 metros. Estava feito o mais difícil, fazendo com que os dragões passassem a controlar comodamente o encontro, sem que o Nacional encontrasse soluções para tentar sequer o empate.

O central polaco Bednarek marcou e festejou com a camisola do lesionado Samu. (Foto: FC Porto)

O FC Porto tem agora dois jogos consecutivos no seu reduto para a Liga Portugal, diante do Rio Ave e do Arouca, teoricamente acessíveis, tratando-se de adversários de dimensão bem inferior, antes de visitar o Estádio da Luz para esse sempre aguardado clássico com o Benfica. Os recentes reforços Seko Fofana, internacional pela Costa do Marfim, e o nigeriano Terem Mofi, estão a ser integrados lentamente – somaram alguns minutos nesta partida com o Nacional -, pelo que é previsível uma certa melhoria na frente de ataque. Samu tem sido a grande referência, mas o espanhol terá de se preocupar em recuperar da grave lesão sofrida para o regresso em pleno na próxima temporada. Quanto ao Nacional da Madeira, a seis pontos da linha de descida, é de prever que se mantenha na primeira divisão do futebol português, mas, tal como o FC Porto, terá de jogar mais e melhor.

Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Acho que na primeira parte tivemos momentos muito bons, os primeiros minutos foram complicados contra uma equipa que ia ser difícil. Estivemos bem, merecemos a vitória e sobretudo num dia especial para o clube, poder dedicar esta vitória ao antigo presidente, é uma maneira de honrar o seu legado. Esta semana foi complicada por causa da lesão do Samu, do Kiwior e do Martim, principalmente a do Samu, que é grave. É algo que nos afeta muito, temos partilhado a dor do que aconteceu com o Samu, mas foi importante reestruturar o grupo com a pressão de obter um resultado positivo. Penso que a resposta foi muito boa”.

Vaz Mendes
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

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