Vitória sofrida do Benfica nos Açores sobre o Santa Clara (2-1) num relvado muito complicado

Encarnados somam três pontos e igualam Sporting na Liga Portugal, um bom tónico para o grande jogo que aí vem com a receção ao Real Madrid para a Champions

O jogo desenrolou-se muito na zona intermediária, onde o ucraniano Sudakov (ao meio) voltou a ser influente Foto SL Benfica
O jogo desenrolou-se muito na zona intermediária, onde o ucraniano Sudakov (ao meio) voltou a ser influente. (Foto: SL Benfica)

O triunfo do Benfica na deslocação à Ilha dos Açores não sofreu qualquer contestação diante de um adversário que ocupa um dos últimos lugares da tabela, mas que demonstrou possuir equipa para se manter entre os primodivisionários do futebol português. O Estádio de São Miguel registou uma boa assistência, como sempre acontece quando o Benfica se desloca àquela ilha do Atlântico, mas o espetáculo deixou muito a desejar. O relvado está em muito mau estado – não por causa da chuva ou por outro qualquer condicionalismo climatérico – e é quase impossível jogar bom futebol, obviamente em prejuízo das duas equipas. Apesar desse condicionalismo, os encarnados foram mais eficazes e marcaram nas poucas ocasiões de que dispuseram ao longo do penoso encontro. Já o Santa Clara aproveitou um enorme brinde do guardião ucraniano Anatoliy Trubin, logo no início da segunda parte para reduzir a desvantagem, mas pouco mais fez para garantir um resultado positivo.

Em vésperas de receber o Real Madrid no jogo da primeira mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, o Benfica garantiu um triunfo moralizador num campo difícil. Mais, igualou o Sporting no campeonato – os leões ainda terão de disputar no seu estádio a partida desta ronda com o Famalicão – e fica a quatro pontos do líder FC Porto, que tem uma deslocação complicada à Ilha da Madeira para defrontar o Nacional. Nesta partida diante dos comandados de Petit, o treinador português que viveu alguns momentos altos da sua carreira enquanto futebolista do Benfica, os encarnados adiantaram-se no marcador por intermédio de Vangelis Pavlidis, que cabeceou de cabeça à baliza, após cruzamento do lateral Tomás Araújo. O goleiro Gabriel Batista, natural do Rio de Janeiro, internacional Sub-17 e Sub-20 pelo Brasil, nada pôde fazer diante do goleador grego, por norma eficaz quando a bola lhe é endossada em condições.

A tímida reação do Santa Clara valeu aos açorianos uma ou outra jogada mais conseguida, mas de pouco valeu, pois a formação de José Mourinho mostrou sempre dispor de outros argumentos. Contudo, as aproximações à baliza contrária nunca causaram grande perigo, tal era a dificuldade de progressão no terreno num relvado francamente mau para se jogar bom futebol. Mau, como é lógico para as duas equipas, podendo o Santa Clara vir a ter sérios problemas se não resolver o problema, tanto mais que em tempos o tapete verde já foi chumbado pela Liga Portugal. O certo é que o Benfica chegou ao segundo golo, aos 38 minutos, desta feita com Pavlidis a fazer o cruzamento para a área, após grande jogada na esquerda, com o brasileiro Paulo Victor, natural de Bocaiúva, Minas Gerais, introduzir a bola na sua própria baliza, pressionado pelo extremo argentino Gianluca Prestianni.

Rafa Silva chegou há pouco, contratado ao Besiktas, e já é titular. (Foto: SL Benfica)

Um frango… não abriu o apetite

Logo no início do segundo período a equipa açoriana acabou mesmo por marcar num autêntico brinde – frango na gíria futebolística – do guardião ucraniano Anatoliy Trubin, que deixou passar a bola por baixo das pernas, completamente à sua mercê, a remate de de cabeça do atacante Gonçalo Paciência. Três notas: a primeira, necessariamente, para Trubin que ainda há dias marcou o golo de cabeça diante do Real Madrid, que apurou o Benfica para o play-off de apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões. Neste jogo comprometeu, mas a formação açoriana não encontrou argumentos para, pelo menos, chegar ao empate. A outra vai para o avançado do Santa Clara, Paciência de apelido, filho de uma grande glória do futebol português, que há anos passeou classe no FC Porto, tendo formado com o búlgaro Emil Kostadinov uma dupla atacante de respeito e que valeu muitos golos e títulos aos dragões. Por último: José Mourinho reclamou duas grandes penalidades, uma sobre Leandro Barreiro e outra sobre Prestianni. Terá razão na segunda, ainda que sejam daqueles tais lances de difícil interpretação por não serem claros e objetivos, por isso mesmo, discutíveis.

O resto da partida não trouxe nada de novo, apesar da ténue reação do Santa Clara. José Mourinho procedeu às cinco substituições permitidas, tal como fez o técnico do conjunto dos Açores, mas com o passar dos minutos estava mais do que visto que nenhuma das equipas queria nada com as balizas. Tempo apenas um registo menos positivo com a expulsão do lateral Lucas Soares, natural de Goiânia, por acumulação de cartões amarelos. Em resumo, jogo muito pobre disputado num relvado impróprio para consumo, com um resultado aceitável e justo da equipa que mais fez para ganhar. Bom sob o ponto de vista psicológico para o Benfica, pois as águias têm de novo o Real Madrid à porta e aí tudo será diferente. Aguarda-se, pois, uma noite de bom futebol no Estádio da Luz, que, mais uma vez, irá registar uma das já habituais enchentes das grandes jornadas europeias.

O grego Vangelis Pavlidis foi considerado o homem do jogo. Pavlidis e Prestianni estiveram em destaque na equipa encarnada. (Fotos: SL Benfica)

José Mourinho (treinador do Benfica): “O jogo teve momentos e objetivos diferentes. Na primeira parte conseguimos o que queríamos: marcar e tentar resolver o jogo. O 2-0 se calhar era curto, podíamos ter conseguido algo mais. Se fossem camisolas de cor diferente, seguramente que haveria penálti. O lance sobre o Barreiro é gigante e o do Prestianni, se não é gigante, é pelo menos grandalhão. Mas para o Benfica é duro e não sei muito bem como justificar, há coisas que se continuam a não entender. Depois, com o golo do Santa Clara, obviamente que o cariz do jogo mudou. Tentámos sempre ir à procura do terceiro golo que nos desse tranquilidade e nos deixasse fora de alguma situação fora de contexto que pudesse acontecer. Não fizemos o golo e, a partir dos últimos 10/12 minutos, mais o tempo extra, foi tempo de fechar e controlar.”

Vaz Mendes
É jornalista, natural da cidade do Porto, Portugal. Iniciou sua carreira na Gazeta dos Desportos, tendo depois passado pelo Record, Jornal de Notícias e Comércio do Porto, jornais de referência em Portugal. Participou da cobertura de múltiplos eventos nacionais e internacionais (Futebol, Basquetebol, Andebol, Ciclismo e Hóquei em Patins). Foi coordenador redatorial do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica). É responsável pelas redes sociais de equipes de ciclismo e dirigente desportivo em uma associação de Ciclismo. É colaborador do PortalR3, publicando textos escritos em português de Portugal.

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